Vice de Daniel Vilela é prerrogativa de Caiado; Zé Mário Schnreiner está em vantagem
A posição de vice-governador na chapa de Daniel Vilela (MDB-UNIÃO) em 2026 é o posto mais cobiçado da política em Goiás, desde já. E não faltam motivos, dentre os quais o principal é o favoritismo do jovem herdeiro de Maguito Vilela. Não são poucos os que sonham em arrebatar esse precioso lugar, mesmo cientes de que o governador Ronaldo Caiado detém o direito inconteste de fazer a indicação. Muita gente acha que, no final das contas, Caiado privilegiará o quesito confiabilidade pessoal ao bater martelo, em um momento para o qual o governador não tem demonstrado nenhuma pressa. Mas não será bem assim.

Há nomes cotados já em circulação na praça. Nenhum supera o do ex-deputado federal e atual presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás – FAEG José Mário Schreiner. Ele é o mais citado. Sua presença ao lado de Daniel Vilela incorporaria o agro, não só no seu sentido produtivo, como também ideológico, ou seja, atrairia parte do eleitorado bolsonarista para respaldar a chapa governista – detalhe que ganha peso com a possibilidade de se concretizar a candidatura do senador Wilder Morais, pelo PL, nessa hipótese inegavelmente prejudicado ao perder um pedaço da sua identificação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu único e isolado trunfo.
O agro, no entanto, padece de uma fraqueza crucial em Goiás: simplesmente não tem tantos votos assim, como demonstrado nas eleições de 2022, quando embarcou na canoa furada do então Major Vitor Hugo e ajudou nos 500 mil votos que ele conseguiu, a maioria, contudo, atribuída ao seu perfil bolsonarista radical. Fora, isso elegeu dois deputados federais e só (uma delas, Marussa Boldrin, bancada pessoalmente por Zé Mário Schreiner). O agro, tão poderoso no mundo da economia, é extremamente limitado eleitoralmente e restringe sua influência à região sudoeste, de onde vêm, a propósito, os seus dois parlamentares federais.
Zé Mário está acima de tudo isso, ao reunir experiência, moderação e sobretudo o comando de um setor que às vezes carrega Goiás nas costas. Ele tem um quê de Caiado no seu perfil e na sua personalidade, a começar pela biografia impoluta e como autoridade classista diligente na defesa dos interesses do seu setor, inclusive com participação ativa na definição das obras oriundas dos recursos da taxa do agro e até mesmo na execução dos projetos, através de um sistema inovador de parceria administrativa com o governo do Estado que, momentaneamente suspenso pelo Supremo Tribunal Federal a pedido do PT, já foi restabelecido em parte e deverá coordenar a aplicação de quase R$ 3 bilhões em ampliação, duplicação e restauração de rodovias em áreas geográficas estratégicas para o agronegócio goiano.
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Como Caiado detém a prerrogativa de apontar o vice de Daniel Vilela, especula-se que poderia optar por uma estrela do seu relacionamento pessoal, por exemplo, como o secretário Adriano Rocha Lima, de densidade eleitoral zero, ou algum outro parecido em termos de se caracterizar o que é costumeiramente chamado de nome “tirado do bolso do colete” – o que, de certa forma, enfraqueceria a chapa. O recomendável é um vice-governador escolhido por critérios de compensação em relação ao titular: um evangélico (Daniel é católico); alguém que acrescente tempo de televisão ou um partido forte (coisas que não faltam a Daniel); talvez uma solução de gênero, tipo uma mulher ou um negro, o que se antevê que não estará em questão nas eleições do ano que vem; uma liderança enraizada em uma região de concentração de votos (tipo o Entorno de Brasília); e, finalmente, uma figura com mais idade para assim equilibrar a juventude de Daniel. Em resumo, com contribuição ativa e relevante a oferecer.
O pragmatismo de Caiado, em pleitos recentes (e Goiânia e Aparecida deixaram claro essa característica do governador), sugere que ele tende a seguir essa inclinação quando se sentar à mesa para decidir sobre o vice de Daniel Vilela, levando ao fortalecimento da chapa e evitando criar um fardo para atrapalhar a busca pela vitória. Essa é a expectativa, diante do histórico político do governador e das suas iniciativas em ocasiões assemelhadas, sempre voltadas para produzir o melhor desfecho e vencer eleições, como se deu em 2024. É um cenário que beneficia Zé Mário Schreiner.