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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

27 out

Maior virtude de Caiado é também principal empecilho para a candidatura presidencial

 

O governador de Goiás Ronaldo Caiado é uma figura que toda pessoa bem-informada conhece a fundo: dono de uma biografia limpa, uma carreira exitosa na política e responsável pela gestão mais aprovada da história de Goiás, apontada pelas pesquisas com 88% de avaliação positiva. Todas essas qualidades estão por trás da candidatura a presidente da República, além de mais uma que pode ser classificada como a sua maior e principal virtude: a autenticidade. Caiado tem coragem de sobra e não aceita rédeas. Não é alguém que pode ser manipulado para aderir a esquemas, lícitos ou não, ou prestar subserviência a quem quer que seja.

Pois é daí que surgiu, nos últimos dias, uma contestação ao projeto nacional do governador goiano, vinda de dentro do seu próprio grupo partidário, a confederação UNIÃO-PP. Caiado foi atacado pelo senador Ciro Nogueira, presidente da confederação, e, como se sabe, aspirante à vice-presidência em uma possível chapa liderada pelos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou Ratinho Jr., do Paraná. Um desses dois, segundo Ciro Nogueira, seria o nome da direita para 2026, na ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro. Caiado, dentro desse raciocínio, estaria descartado.

É fácil entender a posição de Ciro Nogueira: Tarcísio ou Ratinho Jr. são mais palatáveis para a classe política do que Caiado. Não que se prestem a arranjos inconfessáveis, porém nenhum deles se assemelha ao rigor ético e moral do governador de Goiás. Digamos que, de um modo geral, Caiado faz a diferença, exatamente porque seu perfil não é o que tradicionalmente seria exigido pelo sistema político brasileiro. Tanto que já anunciou que, vencendo as eleições de 2026 para o Palácio do Planalto, só cumpriria um mandato, o que garantiria a ele a liberdade necessária para empreender as reformas de que o país necessita sem obrigatoriamente governar de olho nas próximas urnas – como, por exemplo, Lula faz hoje, de modo até rasteiro. O petista, por isso, abriu mão de passar à história como um estadista.

 

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Um presidente com as características de Caiado não interessa a muita gente, quem sabe, quanto mais determinadas elites ou cúpulas que enxergam o Estado como uma fonte de benesses e negócios e atuam sempre para enfraquecer o chefe da nação, qualquer um, e assim tirar proveito pessoal ou político. Com Caiado na presidência, essa estratégia estaria morta. Nenhum grupo, político ou econômico, receberia privilégios. É por isso que, desde já, surgiu um movimento contra as suas pretensões, dentro da sua própria base, antes que ele cresça e, se for o caso, assuma uma posição competitiva nas pesquisas. Ciro Nogueira, na verdade, expressou uma visão que é compartilhada por muita gente dentro da direita – que hoje tem chances de vencer em 2026, mas talvez não queira triunfar com alguém de comportamento tão rigoroso e tão vinculado a princípios e valores quanto o governador goiano.