Máquinas para prefeituras: a isso se reduz hoje a atuação da bancada federal de Goiás
A bancada federal de Goiás, ou seja, o conjunto de 17 deputados e 3 senadores que o povo goiano elegeu para defender os seus interesses em Brasília, vive o seu pior momento em toda a história política estadual. Na verdade, não parece servir para mais nada a não ser administrar emendas orçamentárias que se transformam em máquinas, tratores, caminhões, ônibus e ambulâncias para os municípios, na esperança de que tudo isso se reverta em votos para a reeleição em 2026.
Nenhum dos parlamentares que hoje representam as goianas e os goianos no Congresso Nacional tem a menor noção do papel institucional que caberia a cada um deles. A um ano do final dos seus mandatos, não protagonizaram projetos importantes para a população e não defenderam bandeiras coletivas de peso para o futuro do Estado – em termos de país, nem pensar. São bancadas que, na Câmara e no Senado, integram o chamado baixo clero, sem qualquer importância nas articulações e nas decisões que estão no centro do poder nacional. Zero à esquerda, em resumo.
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Goiás foi reduzido no Senado e figuras menores como Vanderlan Cardoso, Jorge Kajuru e Wilder Morais, todos eleitos acidentalmente, aproveitando oportunidades que nunca mais se repetirão em suas carreiras políticas. Vanderlan está na vaga que, em 2018, seria de Maguito Vilela, que acabou não se candidatando porque o filho, Daniel, entrou na disputa pelo governo do Estado. Kajuru foi beneficiando pela onda de decepção popular com o final da Era Marconi Perillo, quando escândalos de corrupção estouravam quase que diariamente. E Wilder, um milionário diletante na política, acabou empurrado pela onda bolsonarista que elegeu a maioria dos senadores em 2022. Méritos para o Senado, não existem neles.

Toda semana, os três – Kajuru nem sempre vai, enviando intermediários – viajam pelo interior para se encontrar com prefeitos e entregar reluzentes tratores e equipamentos mecânicos para infraestrutura, além de veículos para o transporte escolar e serviços de saúde, sempre adornados com banners promocionais. São centenas e centenas, provenientes do dinheiro legalmente desviado dos cofres da União com as famosas emendas orçamentárias impositivas – sem planejamento algum e daí sem impacto na qualidade de vida do povo, a não ser, quem sabe, muito superficialmente. Isso, leitoras e leitores, não tem nada a ver com a missão de quem foi eleito para o Parlamento e apenas copia, mal e mal, as atribuições que cabem ao Executivo. Sem dúvida, uma das maiores distorções da democracia brasileira.
Entre os 17 deputados federais, de todos os partidos, esse cenário deprimente se reproduz. Mais tratores et cetera para prefeitos que nem têm mais espaço na garagem municipal para estacionar suas frotas. Não há uma única cidade, por esse Goiás afora, em que a administração local tenha carência de ferramental pesado para cuidar das ruas, estradas e ajudar pequenos agricultores. Com a chegada do ano eleitoral, a agenda dos deputados federais e senadores no interior já começou a se intensificar, alimentada pela farta distribuição de mimos sobre quatro ou muito mais rodas. No final das contas, um desperdício sem precedente de recursos públicos. Mas uma estratégia de caça aos votos que iguala por baixoe ao mesmo tempo diminui a estatura da integralidade da nossa bancada federal por inteiro.