Caiado volta ao jogo da sucessão presidencial e reemerge em cenário subitamente favorável
Depois de uma aparente baixa, quando experimentou um certo isolamento e uma redução de expectativas, o governador Ronaldo Caiado foi beneficiado pelos descaminhos da política nacional e acabou reocupando uma das raias centrais da corrida presidencial de 2026: por um lado, a definição do senador Flávio Bolsonaro como candidato ungido pelo pai, desarranjou o nascente projeto de união da direita em torno do governador de São Paulo Tarcísio Freitas, enquanto, por outro lado, novas pesquisas comprovaram a estagnação do presidente Lula em um patamar baixo de aprovação (32%, segundo o DataFolha), superado em muito pela sua rejeição (44%), evidenciando o fracasso de iniciativas eleitoreiras como a isenção do imposto de renda para a classe média e a intensificação da distribuição de benefícios como gás de cozinha e dinheiro para os estudantes do 2ª grau.

Em meio a esse cenário subitamente favorável, como que bafejado por uma lufada de boa sorte, Caiado reemergiu. O lançamento de Flávio Bolsonaro indicou para o ano que vem uma eleição com a direita dividida em nomes que vão da ponta extrema, como Flávio, até os chamados moderados ou civilizados, de centro, como o governador goiano. Quem se sair melhor, vai para o 2º turno contra Lula, isso é certeza. Dono de um bem-sucedido discurso de segurança pública, maior preocupação das brasileiras e brasileiros segundo as pesquisas, Caiado voltou a atrair interesse e apoios dentro do seu partido, o UNIÃO BRASIL (prestes a se confederar com o PP). Um exemplo emblemático foi o do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, que chegou a anunciar a sua adesão a Tarcísio de Freitas diante do que chamou de dificuldades de Caiado para decolar, mas recuou imediatamente após a “oficialização” de Flávio Bolsonaro e se realinhou ao primeiro goiano a se viabilizar como postulante para valer à presidência da República.
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A avenida federal à frente de Caiado, no rumo do Palácio do Planalto, que estava se fechando, repentinamente passou a se mostrar larga e confortavelmente pavimentada. Ao contrário de Tarcísio, ele não depende da boa-vontade de Bolsonaro, tendo sempre reafirmado a firme determinação de disputar as eleições a qualquer custo, impulsionado por bandeira que nenhum outro governante tem nas mãos e ainda por cima em uma área em que Lula da Silva e seu governo são fracos: a segurança pública.
Caso não haja uma reviravolta – e dificilmente haverá alguma, já que o clã Bolsonaro indica não abrir mão de um dos seus na sucessão que se avizinha -, Caiado tende a entrar em voo de brigadeiro até as urnas de um outubro não tão distante mais. Se antes cabia a ele a iniciativa de procurar as principais lideranças dos partidos de centro-direita e de direita, esse modelo de articulação de forças começou a se inverter e é Caiado quem é procurado agora, como no reposicionamento do baiano ACM Neto. Somando-se os números do DataFolha (Caiado entre 5 e 7%, seja qual for o cenário) às incertezas no campo conservador geradas pela escolha desentusiasmada de Flávio Bolsonaro pelo pai Jair, com o acréscimo do mau desempenho de Lula nas intenções de voto e na avaliação da sua gestão, o governador de Goiás acumulou de repente combustível de sobra para levar o seu foguete eleitoral às alturas. E está sabendo aproveitar.