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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

20 dez

Visita de filho de Bolsonaro a Caiado aponta para apoio do PL a Daniel Vilela

Em política, quase sempre, atos e situações concretas têm maior importância e valor do que frases ou meras declarações de intenção. É o que se deu com a visita que o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair e candidato ungido pelo pai ao Palácio do Planalto, ao governador Ronaldo Caiado, em Goiânia, na última quinta-feira, 18. Juntos, estavam o senador Wilder Morais e o deputado federal Gustavo Gayer, o primeiro, maior perdedor com a presença de Flávio no Palácio das Esmeraldas, e o segundo, ganhador inconteste.

Sem fotos e sem informações oficiais, já que os participantes da reunião não falaram sobre o que conversaram, vazou por vias transversas que o encontro, na verdade, representou um passo a mais no rumo de uma aliança entre o PL e a base governista, para que o partido venha a apoiar Daniel Vilela para governador em 2026, recebendo como contrapartida a 2ª vaga senatorial na chapa do MDB-UNIÃO, com a 1ª vaga sendo ocupada pela primeira-dama Gracinha Caiado na condição de puxadora de votos – o que reforçaria consistentemente as chances de Gayer se eleger para o Senado.

 

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A prioridade do Jair e do PL, não só em Goiás, mas na maioria dos Estados, é a eleição de senadores comprometidos com a direita, para viabilizar a aprovação do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal e, como coroamento desse imenso poder, o confinamento do STF na condição limitada de corte constitucional (como acontece com as instâncias judiciárias últimas nos países democráticos). Isso é o que interessa para o bolsonarismo, não conquistar um número específico de governadores, talvez com a exceção óbvia de São Paulo.

Sabe-se que o assunto principal entre Caiado e Flávio foi a aliança estratégica em Goiás. Antes, Gayer já havia se entendido nesse sentido com Flávio, em um acerto testemunhado pelo líder da oposição no senado Rogério Marinho. O filho de Bolsonaro veio para fechar o acordo e descartar a candidatura de Wilder a governador. Claro, sem despertar melindres e sem criar mágoas, do que resultou uma combinação sobre buscar a opinião de Bolsonaro, mesmo na cadeia, para em seguida anunciar o que já se sabe que será anunciado. Uma platitude.

Ou seja: Wilder aproveita-se mais um pouco da escassa visibilidade que vem tendo como postulante ao trono número um da Praça Cívica, coisa da qual ele tem se mostrado incapaz de usufruir plenamente, Bolsonaro avaliza a composição do PL com Caiado e Daniel, Gayer sai com um mandato praticamente assegurado no Senado e o bolsonarismo (a direita, enfim) fatura dois votos importantíssimos (Gracinha e Gayer) para embates legislativos futuros com a esquerda.

 

 

O único derrotado é Wilder. Mas ele é um pretendente a governador frágil, sem discurso, sem gás, incapaz de despertar o ânimo de quem quer que seja no PL goiano. As bases municipais da legenda, perto do inexistente, querem apoiar Daniel e se beneficiar do último ano do atual governo, aliás, com Daniel no poder a partir de 1º de abril. Os deputados estaduais e federais, candidatos à reeleição, também anseiam por rezar na cartilha do governismo, para ganhar um palanque poderoso em 2026 e, principalmente, ter acesso fácil às emendas impositivas no orçamento estadual. Ninguém, no PL, parece disposto a se sacrificar em uma aventura, única palavra – “aventura” – à altura de definir com precisão a candidatura do milionário diletante Wilder. É isso que ele é, faz questão de ser e comprovou mais uma vez ao aparecer na reunião com Caiado, Flávio e Gayer, no Palácio, vestindo seu conhecido blazer de linhão Ermenegildo Zegna e calçando mocassins de camurça (sem meias) Salvatore Ferragamo (confiram na foto acima antes da visita no diretório estadual do PL, leitoras e leitores). Ah, os mocassins custam US$ 1.000 dólares. Cada pé.