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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 nov

Candidatura de Wilder é manobra para cacifar o PL em acordo com Caiado e Daniel Vilela

 

Deixou de ser segredo: a candidatura do senador Wilder Morais ao Palácio das Esmeraldas resulta de uma estratégia combinada pela cúpula do PL em Goiás para buscar a valorização do partido nas negociações com a base liderada pelo governador Ronaldo Caiado, com a subsequente integração ao palanque do vice-governador Daniel Vilela, no ano que se aproxima, mas com benefícios para o lançamento do deputado federal Gustavo Gayer para o Senado e os demais nomes para a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Como não é para valer e, sim, apenas uma encenação, o próprio Wilder não consegue esconder a falta de entusiasmo e a total ausência de postura como um político a 10 meses de encarar uma eleição majoritária e todos os desafios acarretados por um projeto de tamanha envergadura.

Uma reunião recente entre Wilder Morais e parlamentares do PL expôs o desencanto do grupo com o senador. Muitos, abertamente, defenderam uma composição urgente com Caiado, na tentativa de deter a evasão dos prefeitos eleitos pela legenda em 2024 e assim segurar municípios de onde podem vir votos para os parlamentares. Dos 26 filiados que venceram nas urnas, 12 já viraram a casaca e pelo menos dois, mesmo permanecendo, avisaram que vão estar ao lado de Daniel Vilela. E todos, sem exceção, compartilham uma reclamação: nunca foram procurados por Wilder para qualquer conversa sobre 2026, mesma mágoa, aliás, dos deputados e vereadores ainda remanescentes no PL. Um deles, Paulo César Martins, desistiu de vez e tornou pública a decisão de se filiar ao MDB. Justificativa? “Wilder jamais me deu sequer um telefonema”, revelou.

O lançamento de Gayer para o Senado é um detalhe relevante nessa história toda. Como o deputado de fato mobiliza com autenticidade o segmento bolsonarista em Goiás, participar da sua campanha desperta o interesse dos demais postulantes a mandatos pelo PL. Daí podem sair preciosos sufrágios para ajudar na ocupação de cadeiras nos Legislativos estadual e federal. De Wilder, o que se poderia esperar? Apesar de milionário, trata-se de um muquirana notório, que não ajuda os “companheiros” nem mesmo com os recursos do fundo partidário controlado por ele como presidente do diretório regional. Os prefeitos da sigla da safra de 2024 que o digam. Um acordo com a base governista para integrar a caravana chefiada por Daniel Vilela, aliás já sentado no trono da Praça Cívica a partir de abril de 2026, representa uma alternativa irresistivelmente atraente: evita surpresas ao praticamente garantir a vitória de Gayer como segundo nome na chapa senatorial de Gracinha Caiado e abre o acesso dos candidatos proporcionais a um tipo de amparo que eles provavelmente não teriam caso Wilder decidisse realmente pela corrida pelo governo estadual.

 

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Wilder Morais, mesmo agora apregoando-se candidato, mantém algumas cautelas como uma espécie de válvula de escape para o futuro. Não descarta uma composição com Caiado, sob a alegação textual de que “tudo pode acontecer”, e vive repetindo que a orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro e da direção nacional do PL serão fundamentais para a solução final em Goiás. É sabido que Bolsonaro, pessoalmente, prefere muito mais garantir uma volumosa bancada de senadores (para chegar ao sonhado impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal) do que conquistar um certo número de governadores. Isso aponta para um cuidado especial com a candidatura de Gayer, maior ainda quando se consideram as enormes deficiências de Wilder para se afirmar como hipótese para o Palácio das Esmeraldas (leia aqui). O PL, em Goiás, está jogando truco com Caiado e Daniel e blefando porque Wilder não é a principal carta na mesa.