Baixa qualidade dos cursos de Medicina afeta a imagem de Goiás
A avaliação das faculdades de Medicina através do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica – ENAMED, aplicado pelo Ministério da Educação e Cultura, trouxe resultados que se refletem até na imagem de Goiás. Dos 16 cursos que formam médicos no Estado, 10 receberam conceito de insuficiência. Desses, seis escorregaram nas notas 1 e 2, o que é gravíssimo ao deixar claro que os profissionais daí oriundos não têm a menor condição para atuar em qualquer especialização junto à população.
Confiram leitoras e leitores:
Nota 1: Faculdade Zarns – Itumbiara; UNICERRADO – Goiatuba; UNIFAN – Aparecida; e Universidade de Rio Verde (UNIRV) – Goianésia e Formosa.
Nota 2: Universidade de Rio Verde (UNIRV) – Aparecida e Rio Verde; Faculdade Morgana Potrich (FAMP) – Mineiros; e Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES) – Trindade e Mineiros.
Tudo isso é muito sério. Para piorar, nenhum curso de Medicina oferecido em Goiás, nem mesmo o da Universidade Federal de Goiás, recebeu a Nota máxima, ou 5. Ainda assim, faculdades como a da UFG; a da PUC-Goiás; e da Unievangélica, de Anápolis, ficaram com a Nota 4, o que é bom e impõe como regra que, ao procurar um médico fora da rede pública, torna-se indispensável consultar a origem do seu diploma. Aliás, vale exercer esse direito também nos hospitais e postos de saúde do Estado e dos municípios. Um ou outro, mesmo oriundo de cursos condenados pela avaliação do ENAMED, podem se destacar. Um ou outro, qual seja, em caráter de exceção.

As faculdades particulares de medicina, em grande parte, são arapucas que cobram mensalidades milionárias, sacrificando famílias inteiras, sem garantir um nível adequado de ensino, como comprovou agora o MEC – por ora indeciso sobre quais punições infligir. Melhor seria decretar o fechamento, no máximo após uma inspeção detalhada, quando se verá, por exemplo, que unidades como a mantida pela universidade do deputado federal Professor Alcides, a UNIFAN, não têm a menor condição de cumprir com as devidas metas educacionais e não podem continuar no métier de formar médicos que deveriam estar preparados para salvar – e não perder – vidas.
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Como chegamos a esse ponto, quando saltava aos olhos que a proliferação indiscriminada de faculdades de Medicina atacava o bom senso e nada mais representava do que uma jogada de maus empresários para faturar com um mercado que lida com as aspirações dos segmentos sociais de classe média quanto ao futuro dos seus filhos? Pois a hora da verdade chegou. Espera-se que o MEC não demore a agir e que aja com dureza e firmeza, indo além das medidas previstas de suspensão de ingresso de novos alunos ou redução de ofertas de
vagas ou proibição de aumento de vagas e suspensão da participação no FIES. Isso é muito pouco. Abrir processos investigativos e acelerar as conclusões, para trancar em definitivo as portas das instituições faltosas, é o único caminho aceitável – e rápido.