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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 fev

Imbróglio sobre candidatura de Wilder será esclarecido por Flávio Bolsonaro

O senador Wilder Morais apregoou ter recebido o “aval” do ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar o governo de Goiás pelo PL. Já o deputado federal Gustavo Gayer, ardente defensor do acordo do partido com a base governista, pelo qual ocuparia a 2ª vaga senatorial na chapa de Daniel Vilela, ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado, não pestanejou em retrucar que se tratava de uma deslavada mentira. Com o Jair encarcerado, proibido de receber o presidente nacional do PL Valdemar Costa Neto, a situação se transformou em um verdadeiro imbróglio, que só será esclarecido pelo filho-candidato a presidente Flávio Bolsonaro.

 

 

Flávio Bolsonaro tem acesso liberado ao pai. Pode visitá-lo na cadeia até todos os dias, se quiser, conforme autorização do Supremo Tribunal Federal. É ele quem tem os meios para apurar qual a real orientação para o PL em Goiás, se candidatura própria, se aliança com o grupo do governador Ronaldo Caiado para viabilizar a eleição de Gayer e ajudar a formar, no Senado, partir der 2027, a maioria necessária para o sonhado impeachment de ministros do STF – meta hoje prioridade absoluta do ex-presidente.

Problema: Bolsonaro está com a saúde arrebentada. Segundo relato dos seus mais recentes interlocutores, inclusive o próprio Wilder, apresenta-se desorientado, dopado pela medicação pesada, acometido de intermináveis crises de soluço, frequentemente intercaladas por vômitos. Não parece alguém em condições de equilíbrio mental para analisar o cenário nos Estados e apontar o caminho para o bolsonarismo em cada qual. Mesmo assim, há uma romaria de políticos de direita no portão da Papudinha, mais de 30, todos já autorizados pela Suprema Corte a se encontrar com o mais ilustre prisioneiro da casa para discutir candidaturas ao governo e ao Senado em seus respectivos colégios eleitorais.

Goiás, portanto, é só um caso a mais. O anúncio em tom frouxo de Wilder Morais sobre o sinal verde de Bolsonaro para correr atrás do Palácio das Esmeraldas, não teve credibilidade. Foi um relato meio estranho: em momento algum, o senador afirmou com ênfase que ganhou o apoio categórico do Jair. Wilder tergiversou, aparentemente receoso dos efeitos de uma declaração mais explícita, deixando margem para, se necessário, sair-se com a desculpa de que “foi assim que eu entendi”. Vejam bem, leitoras e leitores: “Foi assim que eu entendi”, não “foi isso que Bolsonaro falou”. Há uma diferença sutil aí.

 

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Caiado, Gayer e todo o mundo político estadual, inclusive dentro do PL, estão à espera de Flávio Bolsonaro. O senador já está no Brasil, depois de um tour pelo exterior em busca de visibilidade eleitoral. Até agora, não disse nada sobre Goiás – o que não é bom para as pretensões de Wilder. Antes de tudo isso, Flávio esteve com Caiado e com Gayer, alinhando-se com a tese do acordo entre a base governista e o bolsonarismo para facilitar a condução de Gayer ao Senado. Agora, cabe a ele botar em pratos limpos a decisão sobre o rumo do PL em Goiás: ou a aventura com Wilder ou a aliança para colocar Gayer no palanque de Daniel Vilela. Não há prazo para o desfecho, que pode vir logo ou demorar semanas ou até meses. Por ora, segue o suspense.