Chapa de Daniel continuará com a 2ª vaga senatorial em aberto, à espera de Gayer
As coisas andam estranhas dentro do PL, tanto nacional, como localmente falando. Há divergências entre o presidente do partido Valdemar Costa Neto e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro quanto ao poder de indicar nomes para disputar governos estaduais e as respectivas senatórias. Valdemar diz que ele e mais membros graúdos do PL contam com a possibilidade de escolher candidatos, não só o Jair isolado na Papudinha – com o qual, aliás, Valdemar está impedido de se comunicar já que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre Morais proibiu suas visitas sob a alegação de que é réu em processos que correm na Corte. Carlos Bolsonaro, enquanto isso, reclama que o pai não está sendo ouvido pelo PL e tem em mãos uma lista de candidatos para encaminhar. O filho-candidato a presidente Flávio Bolsonaro, peça principal em toda essa engrenagem, também se mexe e nesta semana começa a se reunir com governadores para tratar das eleições estaduais.
Tudo isso gera reflexos em Goiás. O senador Wilder Morais continua com a conversa torta de que recebeu o “aval” de Bolsonaro para se candidatar ao Palácio das Esmeraldas. Fala nisso com cuidado, evitando afirmações incisivas, parecendo temer alguma ponta solta em uma estória que não foi testemunhada por ninguém lá dentro da masmorra do ex-presidente adoentado e de certa forma desorientado pelo efeito de medicamentos pesados, de acordo com o relato de alguns interlocutores autorizados pelo STF a se encontrar com ele. Wilder trouxe Valdemar Costa Neto para o “lançamento” do seu nome, na semana passada, em um evento pouco representativo (oito prefeitos, dois deputados estaduais e um federal). O que aconteceu? Valdemar fez um discurso falando 90% do tempo em eleições presidenciais. Sobre Goiás, saiu-se como Wilder, ou seja, fugiu de qualquer assertividade. Ficou no ar a suspeita de nada no PL goiano está decidido, com chance de uma reviravolta, especialmente após a aguardada intervenção de Flávio Bolsonaro, com quem Caiado tinha um acordo para viabilizar Gayer ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado nas duas vagas da base governista para o Senado.

Pelo sim, pelo não, a vaga de 2º postulante ao Senado que a base governista em Goiás reservou para o deputado federal Gustavo Gayer, na chapa de Daniel Vilela, seguirá em aberto – e pelas manifestações tanto do governador Ronaldo Caiado quanto do próprio Daniel Vilela, assim pode permanecer até meados do ano, na expectativa da evolução dos fatos na área política (leia-se: a comprovação ou não de que Jair Bolsonaro realmente validou Wilder para concorrer ao governo). Lembrando que o mesmo raciocínio, segundo os dois, serve igualmente para a vice-governadoria. É uma questão de prudência, assim, adiar soluções que não precisam ser precipitadamente adotadas, por ora.
Caiado e Flávio Bolsonaro são próximos. Flávio sempre foi respeitoso e carinhoso com Caiado. Recentemente, elogiou o governador pela filiação ao PSD, entendendo que a direita brasileira se fortaleceu com o ato. É um político pragmático e como tal provavelmente deve enxergar que a composição com a base governista é a melhor garantia para conferir a Gayer um mandato no Senado, onde comporia a maioria sonhada pelos bolsonaristas para aprovar o impeachment de ministros do STF. No palanque de Daniel Vilela, Gayer ganharia uma avenida pavimentada para as urnas de outubro, ao contrário da aventura em que se envolveria caso seja obrigado a se candidatar em uma eventual chapa liderada por Wilder Morais – isolada, carente de discurso e sem bases consistentes no interior do Estado. É de Flávio, daí, que pode vir a guinada capaz de resolver o imbróglio iniciado com a suposta autorização que Wilder teria recebido de Bolsonaro, aquela que ninguém viu, ouviu e até hoje não foi corroborada por quem quer que tenha se comunicado com o Messias aprisionado (a ex-primeira-dama Michele esteve com o marido e não confirmou a versão de Wilder).
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Enquanto o tempo passa, Wilder Morais pisa sobre ovos. Se ele não conseguir a ratificação da sua candidatura, enfrentará um verdadeiro desastre, às custas até da sua desmoralização pessoal. Caiado e Daniel, sem afobação, esperam pela intervenção de Flávio Bolsonaro, que tem acesso liberado à Papudinha, na condição de filho. A qualquer momento, é daí, portanto, que virá a sentença final sobre o rumo do PL em Goiás.