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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

17 abr

Pré-campanha tem Daniel sozinho na raia, com adversários encolhidos

O governador Daniel Vilela (MDB) faz no momento o que é inerente ao seu cargo, isto é, governa Goiás, mas, ao mesmo tempo, acaba de se beneficiando de uma exposição intensa e natural da sua imagem que o coloca muito à frente dos adversários concorrentes ao próximo mandato no Palácio das Esmeraldas – no caso, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o senador Wilder Morais (PL) e alguém que a esquerda fatalmente lançará, contudo ainda hoje sob total indefinição. Daniel está em “pré-campanha”. Ninguém mais.

Não há nada de ilegal ou de não recomendável na atuação de Daniel Vilela. Governantes no exercício do cargo, quando candidatos à reeleição, costumam aproveitar o status oficial e crescer em razão da enorme visibilidade que atraem, sem que estejam cometendo qualquer irregularidade. É uma prerrogativa concedida pelo sistema político brasileiro, aliás em linha com grandes e consolidadas democracias, como a norte-americana. É do jogo. Exige algum comedimento, sim, uma espécie de autocontenção e isso o novo governador está mostrando de sobra, ao evitar a mistura ostensiva de campanha com gestão, separando as coisas. O presidente Lula, só para comparar com um um mau exemplo, não hesita em exercer esses papeis ao mesmo tempo, até mesmo durante cerimônias oficiais dentro do Palácio do Planalto.

 

 

De qualquer forma, a vantagem de Daniel Vilela é um fato que aqueles que pretendem se contrapor nas urnas deveriam levar a sério. Marconi Perillo e Wilder Morais, a essa altura dos acontecimentos, a pouco mais de 160 dias da votação do 1º turno, poderiam muito bem estar se virando para chamar atenção, transmitir as suas mensagens ao eleitorado, se é que as há, e, enfim, perseguir a ampliação do conhecimento dos seus nomes e das suas intenções eleitorais. Fora postagens esporádicas e aleatórias nas redes sociais, nem um nem outro se mexe ou sequer minimamente pelo menos comunica qualquer ideia ou ação nesse sentido. O fizeram por último, semanas atrás, quando Wilder filiou a filha de Iris Rezende, Ana Paula, ao PL e a lançou como vice na sua chapa, e quando Marconi filiou a viúva de Maguito Vilela, Flávia Teles, ao PSDB. De lá para cá, mais nada.

 

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Wilder se calou e desapareceu, protagonizando, ocasionalmente, notícias sobre as suas desavenças com o deputado federal Gustavo Gayer, que queria uma composição com a chapa de Daniel Vilela para disputar o Senado, porém foi obrigado a engolir a candidatura solo de Wilder. Marconi, pior: despontou envolvido em mais um escândalo, depois que a CPI do Crime Organizado revelou que ele recebeu R$ 14,6 milhões do Banco Master a título de misteriosos “serviços de consultoria”. De quebra, teve o desgosto de se deparar com pesquisas nas quais se confirmou a sua condição de mais rejeitado, na faixa dos 40% de citações negativas dos entrevistados.

Tudo isso quer dizer: a oposição (incluindo a esquerda) em Goiás assiste de braços cruzados à intensa movimentação do governador Daniel Vilela, abrindo mão das suas respectivas pré-campanhas. Marconi e Wilder seguem em modo inoperância. O PT e agregados, igualmente, com a diferença de que compõem um segmento político e ideológico estruturalmente sem chances de chegar a 5 a 10% dos votos, por aí. Estão todos encolhidos, talvez por não saber como proceder diante de um cenário tão nefasto. E assim antecipando a derrota.