Oposição omissa a pouco mais de 100 dias para as eleições reforça o favoritismo de Daniel Vilela
A pouco mais de 100 dias para as eleições deste ano, o clima da política em Goiás é mais do que morno, frio até. Afora a movimentação do candidato da base governista Daniel Vilela (MDB), no exercício do cargo de titular do Palácio das Esmeraldas, nada de notável é possível observar. A oposição segue encolhida. Os candidatos Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) pouco se mexem e simplesmente não chamam atenção. O PT, pior ainda, sequer tem um nome definido para representar o partido nas urnas de outubro vindouro.

Não é exagero chamar esse cenário político de atípico. Em condições normais, a oposição sempre tem interesse em antecipar ao máximo o debate eleitoral, para dar visibilidade e conhecimento para os seus representantes. Todos os holofotes, no entanto, concentram-se sobre Daniel Vilela, beneficiário natural da exposição garantida que decorre do fato de ser o governador e, nessa condição, buscar a reeleição. A vantagem é monumental, em um momento em que se exige de Marconi, Wilder e da esquerda um esforço sem tamanho para atrair os olhares do público – esforço que eles ou não querem ou não sabem como desenvolver.
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Marconi perambula pelo interior, à cata de aliados que não existem. Está mais sozinho do que nunca. Wilder nem mesmo viaja (se o faz, é para a sua paradisíaca casa de praia em Angra dos Reis). Nem um nem outro se dispõe a debater propostas para Goiás ou discutir a situação do Estado e as alternativas para o futuro. O PT e legendas agregadas navegam em um quase anonimato. Nem com a visita do presidente Lula a Catalão e Rio Verde, dias atrás, conseguiu algum alento. O problema dos petistas é a expectativa de derrota diante da hostilidade de um eleitorado que nunca teve simpatia pela sigla e se orgulha do seu conservadorismo histórico. Isso afasta a possibilidade de lançamento de um postulante minimamente competitivo, como, por exemplo, seria Adriana Accorsi (que vai disputar a reeleição para a Câmara Federal).
O resultado de tudo isso é uma oposição passiva, nula em iniciativas, sem brilho, incapaz de apresentar soluções para os grandes desafios do Estado ou pelo menos identificar quais são eles. Sim, a população mostra-se fria com temas eleitorais, por ora, mas essa constatação não deveria impedir o livre curso da pré-campanha – especialmente com relação a assuntos de interesse geral e coletivo para Goiás e sua gente. Esse seria o dever e a obrigação de Marconi, Wilder e a esquerda. Não é o que acontece. Como o tempo não para, a data das urnas se aproxima com velocidade, com a oposição em déficit acentuado de atuação e presença. É a derrota sendo antecipada.