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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 jun

Sem projeto alternativo de poder para Goiás, oposição evita o debate de propostas

Este blog nunca cansa de repetir: o ex-governador Ronaldo Caiado, desde janeiro de 2019, passou o rodo na oposição em Goiás. Com o sucesso propular dos seus dois mandatos, ao mudar os paradigmas da política estadual que foram a regra – nem sempre positiva – de todas as gestões desde a redemocratização em 1982, Caiado praticamente eliminou ou absorveu todas as forças que potenciais para se contrapor à sua liderança – situação agora automaticamente refletida na candidatura do sucessor escolhido por ele, o governador Daniel Vilela (MDB).

Em campanha pela reeleição, sozinho na raia, Daniel Vilela faz e diz o que quer, livre de embaraços. Seus “adversários” não reagem. Apresentaram-se 3 candidatos a governador – Marconi Perillo (PSDB); Wilder Morais (PL); e Luis Cesar Bueno (PT). Nenhum foi capaz, ainda, de formular um projeto alternativo de governo. Daniel, por si só, traduz uma proposta de governo: a continuidade de tudo o que Caiado fez para Goiás. Até mesmo se calado estivesse, o governador seria reconhecido por esse propósito. Ele poderia se dar ao luxo de se expressar menos e com mais comedimento sobre o futuro, embora, ao contrário, não economize nem um pouco na ocupação de político e acrescentar um toque de inovação para justificar a sua recondução, enquanto os antagonistas seguem atolados na omissão e perdidos na falta de objetivos.

Continuidade com inovação. Diariamente, Daniel Vilela repete essa mensagem. E Marconi, Wilder e Luis Cesar? Como postulantes do campo contrário, nenhum deles conseguiu elaborar uma crítica leve ao governismo, quanto mais um caminho diferente do atual. Dentre os 3, qual discute Goiás? Qual fala sobre as respostas para os desafios que o Estado, por melhor que esteja, precisa encarar? Mais Educação, mais Saúde, mais Segurança, mais tudo, enfim. Pesquisem, leitoras e leitoras, e apontem para qualquer solução apontada por Marconi, Wilder ou Luis Cesar. Infelizmente, não as há.

 

 

Caiado, a considerar a avaliação dos institutos de pesquisas, foi o governador com melhor avaliação da história de Goiás. Alcançou, como se sabe, 88% de aprovação popular, nos seus últimos dias como incumbente. Esse legado benfazejo foi naturalmente transferido para Daniel Vilela, não à toa o pretendente em 1º lugas nas intenções de voto, 20 pontos à frente de Marconi e mais de 30 além de Wilder e Luis Cesar. Não é pouca coisa. É quase uma definição antecipada das urnas, mesmo porque contra ele os concorrentes quedam-se em estratégias deletérias. Marconi cobra o reconhecimento pelo que fez no passado, como governador. Wilder sonha se eleger como subproduto do bolsonarismo. E Luis Cesar, coitado, está aprisionado ao ridículo mantra da importância superior da reeleição de Lula, até sobre os interesses das goianas e dos goianos.

 

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Pelo andar da carruagem, a eleição deste correrá monótona e sem novidades, no aguardo da consagração de Daniel Vilela e da herança caiadista, sem surpresas. Nem um debate interessante para Goiás haverá, como, desde já, a 100 dias da votação, não existe um embate de ideias nem minimamente falando. Parece mesmo que a oposição evita sequer arranhar temas de importância para os dias que virão para o Estado. Nem um pouco por timidez e com certeza muito mais por incapacidade ou ausência de preparo para uma boa argumentação ou uma controvérsia sadia. Lembrando: em uma campanha eleitoral, o dever de levantar polêmicas e promover o confronto de conceitos é da oposição, que naturalmente deveria defender uma troca de rumos, e não do governismo. Marconi, Wilder e Luis Cesar falham nesse ponto e confirmam não dispor com nenhuma mensagem para levar ao eleitorado. E o tempo até as urnas é cada vez mais curto.