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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

23 jul

Institutos de pesquisas fakes já estão prestando serviços… a quem paga

A praticamente 2 meses e meio para a data das eleições, voltaram a proliferar institutos de pesquisas eleitorais em Goiás. É da temporada. Não, não se trata de empresas credenciadas, conhecidas pelo trabalho sério, como a Genial/Quaest, a BTG/Nexus, a Paraná Pesquisas ou a Atlas/Intel (até a Real Time Big Data, da Rede Record, marcada por escorregões no passado, reagiu e pega uma beirinha de qualidade aqui). Mas o que vem ocupando espaço nas redes sociais e em sites suspeitos é uma profusão de levantamentos que vão contra as tendências dominantes e servem para alimentar publicações ou manifestações dos candidatos beneficiados. Malandragem, enfim, que não leva a nada.

O que se sabe de prognóstico, sobre o momento eleitoral, é o que mostra a média dos institutos realmente comprometidos com um bom nome no mercado. Daniel Vilela lidera, de forma isolada, 20 pontos à frente de Marconi Perillo e mais de 30 de dianteira sobre Wilder Morais. Essa é a realidade, se a eleição fosse hoje, com o detalhe adicional de que Daniel tem chances matemáticas de vencer no 1º turno, caso mantido ou ampliado o cenário favorável que embala a sua candidatura.

Fora daí, é lixo puro. Um certo instituto Lupa apareceu com Marconi Perillo e Daniel Vilela em empate técnico. O levantamento aponta o ex-governador com 33% e o atual governador com 31% das intenções de voto. Dá para adivinhar quem pagou? Fácil. Da mesma forma, o outrora respeitado Veritá rebaixou-se a prestar serviços para Wilder Morais: o senador estaria na cola de Daniel Vilela, em 1º lugar com 34,8%, com Wilder cravando 25,3%, na 2ª posição, seguindo-se Marconi em 3º com 14,5%. Abraçado com a vice Ana Paula, Wilder fez festa no Instagram e no Tik Tok. Pena que… mentira, tudo mentira. Wilder nunca evoluiu no ranking das intenções de votos desde que o seu nome foi imposto goela abaixo do PL goiano e mantém-se atolado nos 10%, mais ou menos.

Marconi Perillo não se envergonhou com a falcatrua da Agência Lupa e encomendou outra, dessa vez ao célebre Catatau (olha só que nome, leitoras e leitores), um dos maiores manipuladores de números eleitorais da história de Goiás, recordista absoluto em fraudes, celebrizado como dono da Exata (nome até bonito, bolado sob medida para vender ouro de tolo): ele, Marconi, garantiu o pódio, com 33,81%, empurrando Daniel Vilela para a 2ª posição, com 28,47%, e Wilder na 3ª vaga com reles 8,78%. Pior de tudo: o ex-governador usou seus perfis sociais para “agradecer” o apoio das eleitoras e dos eleitores e se declarar tomado de responsabilidade pelo 1º lugar. Que não existe além do reino da fantasia do ex-governador tucano.

 

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A legislação sobre pesquisas eleitorais, no Brasil, torna impossível qualquer averiguação capaz de apontar irregularidades ou trapaças, bem como a punição dos responsáveis. Para Justiça Eleitoral, basta um pedido de registro assinado por um estatístico profissional e algumas informações sobre o plano amostral, coisa inclusive facilmente encontrada em versões variadas pré-fabricadas na internet. Pronto. Cumprido esses requisitos, mesmo no caso de uma pesquisa escandalosamente inventada, a burla está legalizada. Não há o que fazer.

Importa dizer: pesquisas não influenciam o voto. Já se demonstrou à farta que o público desconfia de todas elas e tem a convicção de que cada candidato encomenda e divulga as que melhor atendem aos seus interesses. Como instrumento de campanha, é dinheiro jogado fora. No geral, acredita-se apenas nos grandes e renomados institutos, cujos relatórios são publicados pelos veículos de comunicação de maior porte e costumam se alinhar entre si, dentro da margem de erro. É isso que gera confiança nos índices apurados e estimula as expectativas a respeito de quem vai vencer as eleições. Em Goiás, até agora, é Daniel Vilela.