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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 ago

Encalhado no 3º lugar, sem Gayer e com Ana Paula insatisfeita, Wilder flerta com o desastre

Em 3º lugar nas pesquisas, mais de 30 pontos atrás do líder Daniel Vilela e estagnado no mesmo índice desde o final do ano passado,  Wilder Morais (PL) passa por um momento difícil: a candidatura ao governo do Estado não decolou e enfrenta obstáculos que vão desde a falta de vocação para a articulação política, passam pela incapacidade em se expressar de forma compreensível e chegam até a desentendimentos com aliados teoricamente ao seu lado, mas transformados em pedras no sapato do senador, como o candidato ao Senado Gustavo Gayer e a pretendente a vice Ana Paula Rezende.

 

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Há um acúmulo de atribulações no caminho de Wilder Morais. Nenhuma é maior que o distanciamento de Gustavo Gayer, o bolsonarista número um de Goiás. Gayer investiu pesado em uma aliança do PL com a base liderada pelo ex-governador Ronaldo Caiado, que claramente o beneficiaria ao impulsionar a sua candidatura senatorial – na 2ª vaga, ao lado da dona absoluta da 1ª vaga Gracinha Caiado. Wilder atropelou esse acordo e impôs a sua vontade de concorrer ao Palácio das Esmeraldas, colocando Gayer em risco para o Senado. Isso gerou um mal estar dentro do PL e acabou levando Gayer a engolir a chapa liderada por Wilder, mas na prática se propor uma campanha solo, na base do “cuida da sua vida e eu cuido da minha”.

 

 

Hoje, Gayer está alinhado com uma série de apoiadores de Daniel Vilela, como se viu na festa de lançamento na praça Tamandaré, onde se exibiu rodeado de candidatos a deputado da base governista. Wilder foi, porém, deve ter se arrependido, constrangido em um palanque repleto de lideranças vinculadas a Daniel. Ficou evidente que as campanhas não se misturam, por um lado, e que Gayer faz questão de se manter distante de Wilder e evita se contaminar com qualquer referência a ele, por outro lado, sonhando com os votos da base governista. Isso também está nas ruas. Vejam, leitoras e leitores, na foto acima, em Goiânia: a propaganda de Gayer não menciona Wilder. Jair e Flávio Bolsonaro, estão lá. E não é só a ausência da foto de Wilder, é que nem em letras pequenas consta o nome dele.

Gayer para cá, Wilder para lá. Tem mais. Ana Paula, filha de Iris Rezende, sumiu da companhia de Wilder, insatisfeita com a omissão do candidato quanto ao que ela imagina prioridade da campanha, ou seja, a defesa do legado de Iris – algo que não tem o menor sentido. Ana Paula não foi, por exemplo, ao encontro de prefeitos da última sexta, 21, na mansão de Wilder no setor Marista. Ela também reclama da falta de estrutura, aguardando pelos assessores, carros e verbas para cobrir despesas de alimentação e deslocamento. Coisas que Wilder prometeu, porém, não chegaram até agora. O senador achou que estava levando um pedaço da memória de Iris para a sua campanha, sem perceber que Ana Paula não puxou ao pai e sim à mãe, dona Iris – sempre um osso duro de roer dentro do MDB pelo radicalismo e posições extremamente duras. A vice, uma boa solução, no início, já se converteu em dor de cabeça para Wilder. Ela reclama sem parar e faz exigências infinitas. Em meio a tudo isso, as agendas de Wilder, Gayer e Ana Paula acabaram se desconectando.

 

 

Para piorar, o marqueteiro de Wilder Morais, um certo Marcelo Vitorino, revelou-se um boquirroto. Admitiu publicamente que o candidato não sabe falar, o que é real. Wilder é ruim de português, tem voz de “velho e bêbado” (segundo o Jornal Opção, leia aqui) e a cada frase confirma não dispor das luzes necessárias para o cargo tão elevado quanto o de governador. Além disso, é milionário, no entanto, foge como o diabo da cruz de gastos com a campanha. Resultado: não aparece dinheiro para reuniões, apoiar candidatos a deputado ou viagens às bases, se que as há. E ele não se mexe. Não vai a lugar nenhum, tendo sido acusado de “preguiçoso” por bolsonaristas goianos que nunca o engoliram e só o enxergam como um oportunista barato que pegou carona na liderança do Jair encarcerado. Esse público bolsonarista fiel prefere apostar na reeleição do governador Daniel Vilela – nas pesquisas verifica-se que o voto bolsonarista em Daniel é mais do que o dobro do que em Wilder.

Pelo sim, pelo não, a campanha de Wilder Morais vai mal. Pelo baixo nível de atividade, é uma não-campanha ou, no máximo, um arremedo de campanha. Sucedem-se pesquisas com ele encalhado no 3º lugar, sem evoluir um décimo de ponto, a propósito, desde o final do ano passado. Wilder, agora, anuncia uma grande mobilização para o dia 7 de setembro, data magna da pátria bolsonarista. Se, mais uma vez, montar na garupa de Gustavo Gayer, pode conseguir algum resultado. Se for por conta própria, esqueçam. Não dará em nada e será mais um fiasco.