Erros e acertos do marketing dos candidatos a governador na televisão
Faltam apenas 3 semanas para a data das urnas. No rádio e na televisão, serão somente mais 10 programas para cada candidato a governador no horário gratuito. A esta altura, todos eles – Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) – já mostraram as suas estratégias e linhas prioritárias de comunicação, alguns acertando e outros errando feio, sob a orientação (ou desorientação) dos seus respectivos marqueteiros. Um balanço, portanto, já é possível.

O 1º colocado nas pesquisas Daniel Vilela faz bem o dever de casa, como era de se esperar do representante da poderosa base governista. Com minutos de sobra e imagens e falas vibrantes, Daniel executa o clássico receituário atribuído a quem está no poder e busca a recondução: exibe realizações à fartura do seu período como vice do ex-governador Ronaldo Caiado, desdobra daí propostas altamente conectadas com o que foi e está sendo feito e usa com intensidade a imagem de Caiado, cuja continuidade é o desejo de 70% do eleitorado, conforme as pesquisas de credibilidade. Um jingle sintetiza o conceito no slogan do “futuro seguro” e aponta para “Daniel e Caiado juntos e misturados”, encerrando a transmissão e garantindo um recall significativo. Esse conteúdo era previsível e tende também a ampliar a aprovação do próprio Daniel como governador, hoje acima de 70% segundo o Paraná Pesquisas – ao reavivar com intensidade as entregas do governo que o candidato assumiu em abril passado e da gestão anterior.
Daniel Vilela está em uma espécie de Monte Olimpo, muito acima dos adversários. Segue como o favorito, mais de 20 pontos à frente do 2º colocado, Marconi Perillo. O ex-governador, isolado e sem alianças partidárias, acabou espremido no horário gratuito, com 30 segundos de exposição, tempo insuficiente para passar qualquer mensagem. O que os telespectadores veem é Marconi sempre correndo em calçadas, praças e até em uma pista de aeroporto, lançando mão de frases de efeito e repetindo alguns motes da sua campanha, como o “você sabe que eu dou conta do recado”, algo, no entanto, anulado pela rapidez da aparição do candidato. Não se fixa. Tudo indica que, logo após assistir, ninguém se lembrará de nada.

O mesmo vale para Wilder Morais, com 1 minuto e 18 segundos, na 3ª posição nas pesquisas, mais de 30 pontos atrás de Daniel Vilela. Talvez o pior de todos, o programete de Wilder é repleto de falhas, mas a principal é o equivocado recurso ao teatrinho em uma casa onde uma família se prepara para uma refeição. O artificialismo da situação leva à contaminação de tudo a seguir como falso e distante da realidade, em especial os elogios forçados até de crianças a Wilder. Para piorar, o candidato, quando palra, tem sempre o queixo erguido. O pescoço aparece por inteiro, com a movimentação do gogó volumoso funcionando como uma distração desviar a atenção do que é dito. Sem falar que é uma linguagem corporal de arrogância e superioridade. As leitoras e os leitores já notaram: nas fotografias oficiais da campanha, a direção de imagem baixou corretamente o queixo de Wilder(veja a comparação nas fotos acima), enquanto o diretor – se houver – das gravações com o senador se esqueceu desse infeliz detalhe.
Por fim, Luis Cesar Bueno também incorre no mesmo teatrinho, quando, em todos os seus programas, dá partida às suas falas entrando em um elevador e encontrando “casualmente” um interlocutor interessado em assuntos improváveis como o aquecimento do planeta ou a preservação do cerrado. Isso deixa a plateia desconfiada, convicta de que está sendo de alguma maneira enganada. E Luis Cesar é um péssimo ator. Ele não dá naturalidade às cenas fabricadas sem a menor criatividade e prejudicando a si próprio como um candidato pedante e presunçoso.
Marketing eleitoral é coisa séria. E, no caso da televisão, mais ainda. Atenção para o que diz o pesquisador Maurício Moura, do instituto Ideia: “A televisão perdeu o monopólio da campanha, mas não perdeu o poder de legitimar candidaturas. As redes sociais falam muito com quem já está mobilizado, mas a televisão ainda entra na sala de milhões de brasileiros ao mesmo tempo. E há um detalhe novo: hoje, o programa eleitoral não termina quando acaba na TV. O trecho que funciona vira corte, munição para WhatsApp e rede social. A televisão deixou de ser o palco único, mas continua capaz de definir quem entra no jogo”. Uma lição que, em Goiás, alguns candidatos estão ignorando.