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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 ago

Justiça declara Vilmarzim inelegível por peripécias da ex-primeira-dama Sulnara

A Justiça Eleitoral condenou o ex-prefeito de Aparecida Vilmar Mariano (PL) e sua esposa Sulnara à inelegibilidade por oito anos (leia a sentença aqui), acompanhada por uma multa de R$ 30 mil reais para cada um. O motivo? Durante as eleições do ano passado, em que, no final, Leandro Vilela (MDB) acabou eleito prefeito em uma virada espetacular sobre o concorrente Professor Alcides, Sulnara, dizendo falar em nome do marido, ameaçou e pressionou funcionários da prefeitura cobrando engajamento na campanha de Alcides.

 

 

Não faltaram provas, inclusive áudios mostrando conversas de nível baixíssimo entre Sulnara e comissionados municipais, na tentativa de garantir votos contra Vilela. Conforme decisão da juíza Christiane Gomes Falcão Wayne, em ação movida pela coligação que bancou o prefeito vitorioso, foi “reconhecida a prática de abuso de poder político pelos investigados Vilmar Mariano da Silva e Sulnara Gomes Santana, consistente na instrumentalização da estrutura administrativa da Secretaria Municipal de Assistência Social de Aparecida de Goiânia/GO, mediante exoneração e ameaça de exoneração de servidores comissionados como forma de coação para angariar apoio político à candidatura de sua preferência, prática esta dotada de gravidade suficiente para afetar a normalidade e a legitimidade do pleito”.

As gravações mostram o baixíssimo nível das conversas da então primeira-dama Sulnara, dizendo falar em nome de Vilmarzim para exigir votos e trabalho a favor do Professor Alcides. Nem na República Velha se viu nada parecido, na crueza das palavras empregadas e na violência da abordagem a subalternos, alguns humildes, pouco se lixando para o fato de que se tratava de uma reunião pública.

A punição nada acrescenta à situação humilhante de Vilmarzim, no final das contas banido da política aparecidense depois de uma administração tampão desastrosa, ao longo da qual abandonou o seu grupo partidário histórico, dentro do MDB – chefiado pelo ex-prefeito Gustavo Mendanha – e se bandeou para os adversários. Desde que o resultado do pleito foi anunciado, com a consagração de Leandro Vilela, o hoje ex-prefeito desapareceu, foi visto esporadicamente usando barba e se afastou do convívio até mesmo de familiares. Em Aparecida, transformou-se em uma espécie de pária, pelo menos no meio político. Ele chegou a alimentar a fantasia de se candidatar a deputado federal, ideia hoje sem qualquer viabilidade ou possibilidade de chegar a algum resultado.

Cabe recurso. Para Vilmarzim, de nada adiantará e provável que ele nem o faça: em resumo, ele foi banido da vida pública pelo seu próprio comportamento.