Revogação da “taxa do agro” cancela o principal discurso da oposição contra Daniel
A “taxa do agro” já deu o que tinha que dar, ou seja, carreou em torno de R$ 3,5 bilhões para os cofres do Estado (reservados exclusivamente para obras de infraestrutura rodoviária) e se tornou desnecessária, sendo, portanto, dispensável para alimentar os investimentos de uma gestão que dispõe de R$ 9,8 bilhões em caixa. É esse, em resumo, o pensamento do governador Ronaldo Caiado, que, surpreendente, em uma ação ultrarrápida, revogou o tributo em um momento em que os próprios setores contribuintes, o rural e o mineral, já haviam absorvido plenamente o encargo e sequer falavam mais no seu cancelamento.
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Gente da oposição, um ou outro, tentava sacudir esparsamente o imposto em um esforço malsucedido para desgastar Caiado. O governador, no mesmo período em que a “taxa do agro” foi implantada, de 2023 até agora, viu a sua popularidade crescer exponencialmente e chegar a 88%, segundo os principais institutos de pesquisa do país. O maior índice, a propósito, dentre todas as Unidades da Federação. Uma explicação é que o chamado agro estadual exibe pouca relevância social e política, congregando, na verdade, um pequeno número de produtores de médio e grande porte. Não tem votos, apesar da sua reconhecida e incontestável força como segmento de negócios historicamente mais comprometido com o desenvolvimento regional.
Mesmo assim, Caiado resolveu agir. Na verdade, o tributo foi criado em caráter temporário e se extinguiria no final deste ano. O que houve foi apenas uma antecipação, justificada por um momento de preços baixos, pouca oferta de recursos para financiamento e uma coleção de dificuldades oriundas da indisposição natural do governo federal petista com um campo da economia por natureza ultraconservador e eternamente bolsonarista raiz. Mas as consequências políticas são óbvias: a oposição perdeu talvez o único discurso que poderia entoar contra a candidatura de Daniel Vilela, embora limitado a um público sem expressão nas urnas (nas eleições de 2022 não elegeu nenhum deputado estadual e apenas 2 federais – Daniel Agrobom e Marussa Boldrin).

Poucas vezes Goiás viu um articulador como Caiado atuando na montagem de um cenário eleitoral favorável aos seus interesses. Não é exagero. Adversários são cooptados ou inviabilizados, partidos arregimentados e classes sociais favorecidas, sem falar no valor universal da segurança pública – transformada em símbolo do sucesso administrativo e gerencial do governo e considerada hoje a melhor do Brasil, garantindo às goianas e aos goianos o maior privilégio requerido pela vida cotidiana das famílias, trabalhadores e empresários. Diz-se, entre críticos de Caiado na imprensa, que ele gosta de “derrubar” possíveis antagonistas ainda na pré-campanha e aplainar o caminho próprio ou dos seus abençoados, caso de Daniel Vilela. Mas ninguém pode reclamar porque, no tabuleiro da política, é assim mesmo que as coisas funcionam.
A revogação da “taxa do agro” é uma clara demonstração da disposição que Caiado vem manifestando, desde o ano passado, quanto ao seu empenho para levar Daniel Vilela à vitória. Em uma exaltação metafórica, ele chegou até a proclamar que estaria disposto a “dar a vida” para alcançar o triunfo do seu candidato em outubro próximo. Por ora, trabalha na remoção dos obstáculos previsíveis e na ampliação do apoio partidário e da escalação de lideranças de peso no palanque do sucessor que escolheu.