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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

16 abr

Mais desgastes para Marconi e Wilder ao não apoiar um filho de Goiás para presidente do Brasil

O calvário dos candidatos de oposição ao governo de Goiás Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) está cada vez pior. Os dois padecem da falta de partidos para formar alianças, por exemplo, para ampliar o tempo disponível no importantíssimo e estratégico horário gratuito de propaganda no rádio e na televisão. Até agora, também não conseguiram a adesão de lideranças de peso capazes de reforçar os seus respectivos palanques. E, para piorar, ainda não chegaram a formular um discurso minimamente convincente para propor uma mudança para ao eleitorado em relação aos paradigmas administrativos legados pelo governador Ronaldo Caiado e integralmente absorvidos pelo seu sucessor Daniel Vilela – o adversário de Marconi e Wilder.

 

 

Não é só. A conversão de Caiado em candidato a presidente da República criou mais um desafio para a dupla. Como não respaldar o projeto nacional de um filho legítimo de Goiás, hoje o primeiro goiano em toda a história com chances reais de vir a se transformar em chefe da nação? Como não acatar essa verdade incontestável, um salto de qualificação histórica sem precedentes para o Estado? Como essa atitude acabará interpretada pela população, a mesma que, aliás, conferiu a Caiado 88% de aprovação em pesquisas absolutamente independentes e produzidas por institutos 100% acreditados? Por questões pessoais e políticas, eles, Marconi e Wilder, jamais se alinharão com a campanha do representante do PSD, ao contrário, darão aval a concorrentes como Flávio Bolsonaro, pelo PL, ou um qualquer eventualmente referendado pelo PSDB, ainda indefinido – não a Caiado.

Convenhamos, leitoras e leitores, pegará muito mal. O correto seria abrir mão das picuinhas, esquecer as desavenças, mostrar visão de futuro e se engajar na corrente em tese com possibilidade de levar Caiado a uma votação estadual superior a 70%, senão mais, em nome da presença de um goiano no comando do Palácio do Planalto. Isso em um contexto adicional em que a grande imprensa e o meio político receberam muito bem o lançamento do ex-governador, reconhecendo sua biografia limpa e a excelência da gestão feita em Goiás. Agora, diante de tudo isso, logo conterrâneos como Marconi e Wilder é que vão combater Caiado? Fácil explicar? Não.

 

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Previsível, portanto, que mais desgastes virão para os dois oposicionistas. Daniel Vilela, de seu lado, seguirá navegando em águas tranquilas. Dia e noite, falará em Caiado, pedirá votos e lembrará que a eleição presidencial, dessa vez, não tem conotação pessoal nem política, mas de afirmação da identidade de um Estado nunca antes perto de um momento histórico como esse. Marconi e Wilder retrucarão dizendo o quê? Que um goiano que foi deputado federal, senador e governador por 2 mandatos, sempre eleito em 1º turno, não é apto ou não merece liderar o Brasil? Não vai funcionar e até mesmo pode voltar em desfavor deles.

Aparentemente, não existe uma saída para solucionar esse imbróglio. Marconi atribui a Caiado todos os males que o atingiram e o derrubaram desde os últimos anos dos seus governos, inclusive as ocorrências policiais e as derrotas para o Senado. Wilder é amigo do ex-governador, nunca falou mal dele e conta até com a chance de achar um meio termo, quem sabe ressaltando que Caiado seria um bom presidente, porém, por uma questão de fidelidade partidária, viu-se na obrigação de defender Flávio Bolsonaro. Uma condição menos onerosa em comparação à de Marconi, porém insuficiente. De um jeito ou de outro, no final de tudo, Marconi e Wilder estarão se colocando simplesmente contra… Goiás.