Candidatura bem recebida e abertura da 3ª via configuram a 1ª vitória de Caiado

Deu tudo certo e o ex-governador Ronaldo Caiado conseguiu o que em alguns momentos chegou a parecer impossível: ele se tornou candidato a presidente da República pelo PSD e foi recebido com seriedade pela mídia e pelo meio político, passando ainda a encarnar a possibilidade de uma 3ª via para além da desgastada polarização entre lulismo e bolsonarismo. Uma verdadeira façanha. O respeitado colunista da Folha de S. Paulo Elio Gaspari avaliou o lançamento de Caiado e concluiu que “uma coisa é certa: com a entrada de Caiado na disputa, a campanha eleitoral perdeu o gosto ruim da monotonia. Lula x Bolsonaro pai ou filho é uma disputa velha”.
Sábias palavras. Indo mais além, não só Gaspari, como dezenas de outros jornalistas especializados admitiram enxergar no goiano uma novidade que definitivamente abala todas as previsões de uma disputa resumida aos dois candidatos dos extremos do espectro ideológico. Outro analista da Folha, Joel Pinheiro da Fonseca, fez uma pergunta: “Por que Caiado e não Flávio?”, para ele mesmo responder, em duas vertentes: 1) “Caiado é solidamente de direita. Foi candidato a presidente em 1989 (assim como Lula). É conservador, próximo ao agro, discurso forte de segurança, imagem de machão tradicional. Pelos valores, está próximo de uma maioria crescente do eleitorado, segundo estudos como o de Felipe Nunes no livro Brasil no Espelho” e 2) “Talvez o maior ativo de Caiado seja sua experiência de gestão e os resultados positivos de seus sete anos como governador de Goiás. Na segurança, um dos temas centrais da eleição, Goiás passou por uma queda sustentada nos números de violência. Nas contas públicas, outra preocupação nacional, a melhora também foi notável: no
Ranking de Competitividade dos Estados, do CLP, Goiás foi da 21ª posição em 2019 para a quinta em 2025 no indicador Solidez” Fiscal”.
São apenas dois exemplos, porém capazes de retratar como, na média, a imprensa nacional repercutiu a oficialização de Caiado como um dos inscritos à corrida pelo Palácio do Planalto: com respeito e bons olhos. Tudo indica que, em uma comparação direta, as vantagens sobre Flávio Bolsonaro tendem a se destacar, quem sabe conduzindo para uma reversão de expectativas no 2º turno, com a escalação, para enfrentar Lula, de um representante da direita que sempre jogou dentro das regras da democracia e que, em relação ao bolsonarismo, é de fato “diferente” e reconhecidamente bem-preparado.

Não há como negar de que o passo inaugural da candidatura de Caiado foi espetacular. Ocupou todas as manchetes e mergulhou em uma roda viva de entrevistas a veículos de comunicação de 1ª linha, ganhando amplo espaço para apresentar as suas ideias iniciais. Uma etapa foi vencida com sucesso, mas o caminho à frente não será fácil. Lula e Flávio Bolsonaro são donos de eleitorados fidelizados e cristalizados, o que aumenta as chances de ambos para um confronto no 2º turno. Como os ventos neste momento sopram a favor de Caiado, boas notícias não param de chegar. Em Minas Gerais, uma pesquisa fresquinha da Atlas/Intel apurou empate técnico, no 2º turno, entre Lula e os concorrentes Flávio Bolsonaro, Romeu Zena e Caiado – este com 40,8% das intenções de voto, contra Lula cravando 44,2% (como o levantamento teve margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos, o empate técnico se estabeleceu). Pois é: o voo presidencial do ex-ex-governador goiano partiu a mil por hora.
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