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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 jun

Vaivém de Mendanha mostra imaturidade e compromete sua confiabilidade

Poucas vezes antes um quadro de renovação da política em Goiás saiu do nada para crescer com velocidade, ocupar espaço e alimentar expectativas como o ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha. Vereador e presidente da Câmara Municipal, Mendanha superou as limitações naturais do paroquialismo da política aparecidense ao ascender ao cargo de prefeito, sucedendo a Maguito Vilela, e alcançar índices espetaculares de aprovação – mas aí o sucesso inesperado subiu à cabeça e veio o primeiro mau passo: a candidatura precoce a governador em 2022, quando, totalmente isolado e sem apoio partidário ou de lideranças de peso, abandonou o partido onde floresceu, o MDB, e terminou naufragando no 1º turno, nenhuma novidade dado que o seu adversário era nada mais nada menos que o então governador Ronaldo Caiado, em busca da inevitável reeleição.

 

 

Mendanha mirou alto e errou o tiro. Mexeu-se para cá, mexeu-se para lá e retornou ao MDB, ficou por pouco tempo, saiu para o PSD em um movimento simplesmente inexplicável, não demorou por lá e pulou para o PRD – legenda em Goiás de propriedade particular do trêfego marqueteiro Jorcelino Braga, um tipo reconhecidamente complicado. Em meio a esse vai-pra-lá-vem-pra-cá, decidiu reivindicar a vice-governadoria na chapa de Daniel Vilela, viu que não dava e, nesta semana, mudou o foco para uma candidatura a senador, quando, na verdade, teria caixa para correr atrás de uma vaga na Câmara Federal e assim ter certeza de permanência no jogo da política estadual.

Desde a Grécia dos filósofos, sabe-se que a moeda mais valorizada entre os homens (e mulheres) é a da confiança. Na política, mais ainda. Mendanha, em sua carreira meteórica, não aprendeu essa lição e nunca se preocupou em subir no ranking da lealdade. Nos últimos dias, vazou até que poderia se candidatar a governador. Foi para o PRD, um partido de carregação, sem qualquer comunicação a Caiado, Daniel Vilela ou mesmo o prefeito de Aparecida Leandro Vilela. No final de tudo, viu o tamanho do buraco em que estava se metendo e anunciou que vai mesmo é disputar o Senado como o 5º candidato da base governista – que não tem saída a não ser aceitar a “imposição”, para evitar rachas prejudiciais para a campanha prestes a se iniciar.

 

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Integrando-se ao pelotão já inflado dos pretendentes senatoriais na chapa de Daniel Vilela, Mendanha mais atrapalha que ajuda, no momento, ao, no mínimo, reduzir a votação do 2º time (Gracinha Caiado, dona absoluta do 1º voto, não será prejudicada) e aumentar as chances para que a 2ª vaga vá para alguém de fora, no caso Gustavo Gayer. “Haverá uma dispersão de votos”, avaliou Caiado do alto da sua comprovadíssima experiência em eleições. E é a lógica. Portanto, são palavras duras, porém o fato é que Mendanha já é e continua a ser visto como um vaso quebrado que é impossível reconstituir. Não é alguém com que possa contar em qualquer circunstância, dentro da base governista onde se inseriu atualmente apenas por um interesse oportunista. Exemplo: perdendo para o Senado, concorrerá com a reeleição de Leandro Vilela para a prefeitura de Aparecida, em 2028? Provavelmente.

Jovem ainda (tem a mesma idade de Daniel Vilela, 42/43 anos), Mendanha já trocou 5 vezes de partido, lembrando outro “político” que só age de olho nas próprias ambições e jamais em consonância com uma corrente ou um grupo – Vanderlan Cardoso. Não à toa, Vanderlan caminha para uma derrota na tentativa de renovar o seu mandato no Senado, como sugere a sucessão de pesquisas em que ele está em queda. Mendanha está no mesmo caminho? Ele é o próximo Vanderlan? As próximas pesquisas é que vão dizer, mas anotem, leitoras e leitores: Senado é uma altitude de voo muito acima das possibilidades dele.