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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

23 jun

Oposição só ganha se propor mudança. O problema é que Goiás quer continuidade

A oposição em Goiás, hoje uma das mais fracas da história política estadual, irá às urnas de outubro com 3 candidatos a governador: o ex-governador Marconi Perillo, pelo fragilizado PSDB; o senador Wilder Morais, pelo dividido PL; e o ex-deputado estadual Luís Cesar Bueno, pela esquerda eternamente ilhada pelo forte conservadorismo estadual. Esses 3 candidatos enfrentarão a reeleição do governador Daniel Vilela, cujo maior trunfo é representar a continuidade do governo Ronaldo Caiado – aquele que alcançou 88% de aprovação geral e recebeu o reconhecimento de 74% do eleitorado de que merece eleger o sucessor.

 

 

Continuidade, portanto, é o mote das eleições deste ano em Goiás. E essa realidade, é óbvio, coloca todas as fichas sob o controle de Daniel Vilela. Ele vai para as urnas em situação de vantagem, enfrentando uma oposição tripartite que ainda não encontrou um discurso adequado e passa longe de formular um projeto alternativo de poder. Dá para entender essa dificuldade: a bandeira de toda e qualquer oposição, em tempos de disputa pelo Executivo, é obrigatoriamente a mudança. Mas, se a maioria das goianas e dos goianos quer a manutenção das conquistas do governo Caiado e tem consciência de que Daniel Vilela é quem representa essa sequência, como defender uma guinada nos rumos do Estado? Marconi, Wilder e Luis Cesar já provaram não saber a resposta.

Mas atenção: não sabem por que não há o que fazer. Em eleições, continuidade e mudança são excludentes. É uma ou outra. Marconi, sem saída, propõe a volta ao passado. Wilder, empoderar o bolsonarismo e só. Luis Cesar é um vazio de ideias, subjugado pelo mantra petista da prioridade absoluta a um novo mandato a Lula Essas bandeiras são claramente insuficientes para eleger um governador. Ora, eles poderiam sair pela tangente e dizer que, apesar de antagonizar o candidato de Caiado vão preservar as conquistas da gestão do ex-governador e avançar. Sim, mas, para isso, Daniel Vilela, um nome da confiança do ex-governador, seria muito mais preparado e adequado. Inclusive na opinião do próprio Caiado. Tudo indica que Marconi, Wilder e Luís Cesar meteram-se em um beco sem saída.

 

 

Para vender a visão de que uma mudança é necessária para Goiás, a oposição ostensivamente carece de argumentos convincentes, que não parecem à mão. E a essa altura do campeonato, a 100 dias da votação, ainda não sinalizou nada nesse sentido. Existe corrupção? Não. Desperdício de dinheiro público ou ineficiência administrativa? Não. Alguma camada da população sem atendimento das suas expectativas, em especial os mais humildes? Também não. A Educação não é boa? É, conforme o IDEB. A Saúde? Vai bem. E a Segurança? Daniel Vilela está investindo ou igual ou mais que Caiado e até introduziu, com sucesso, a Inteligência Artificial nas investigações policiais. A paz social é sólida. Difícil convencer a sociedade de que é preciso mexer mesmo de leve em qualquer das áreas básicas de ação do Estado. Esse é o drama que deixa Marconi, Wilder e Luis Cesar sem reação, mais perdidos que cebola em salada de fruta (sem querer baixar o nível, leitoras e leitores).