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José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

12 jan

Expectativa que Caiado gerou com a sua consagradora eleição exige uma resposta, no exercício do poder, perto da perfeição. Mas não é bem o que está acontecendo

Ao ser eleito em 1º turno com uma votação consagradora, Ronaldo Caiado gerou a expectativa de iria fazer um governo de excelência e confirmar, a partir de 1º de janeiro, a implantação de uma mudança profunda na política e na administração do Estado de Goiás.

 

Duas semanas depois da posse, não é bem o que está acontecendo. Há uma crescente inconsistência entre o que Caiado prometeu e o que se vê de concreto no novo governo – e isso incomoda. O excesso de parentes nomeados para cargos importantes, por exemplo. Ainda que não se comprometa a lei do nepotismo (o que precisa ser examinado com mais precisão), Caiado, o vice Lincoln Tejota e o senador substituto Luiz Carlos do Carmo estão com uma batelada de familiares nomeados em cargos importantes. Isso não pega bem e vai contra a anunciada mudança da campanha eleitoral.

 

Dois primos, de sobrenome Caiado, foram nomeados para a presidência e uma diretoria da Agetop. A justificativa é que devem ser vistos como o próprio governador exercendo esses cargos, com a sua seriedade e honestidade. Mas isso é pedir muito. É um argumento absolutamente frágil. Visto de outra maneira, significaria que onde não foram nomeados Caiados não haveria essa seriedade e honestidade?

 

Merece atenção também algumas soluções – que não é exagero chamar de ingênuas – que Caiado deu para problemas como o atraso da folha ou a suposta corrupção na Agetop. Para resolver a vida dos servidores com dezembro em aberto, pediu que prefeitos avalizassem suas compras no comércio, para pagamento posterior. Previsivelmente, virou chacota. E, para a Agetop, anunciou que vai mudar o nome da autarquias, o que lembra a anedota da esposa  infiel cujo marido resolve a situação vendendo o sofá onde a traição acontecia.

 

O que se esperava era mais, muito mais, do que essas bobagens.