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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

14 jan

Bolsa Universitária: programa é mito que Caiado se precipitou ao manter, diante do seu custo inviável para um Estado em situação financeiramente difícil e seu parco retorno para os goianos

Se pensar com a mesma cabeça dos seus antecessores e dentro dos padrões convencionais, Ronaldo Caiado desperdiçará a credencial que recebeu com a sua vitória em 1º turno com uma votação espetacular e, no máximo, repetirá com ligeiras variações, mas a mesma forma e conteúdo, o que foi feito até hoje na gestão do Estado de Goiás.

 

Caiado foi eleito para promover uma mudança não só moral na condução do governo, mas também administrativa e gerencial, buscando mais eficácia e rendimento para todos. Até agora, fora a ênfase absoluta que está dedicando para a questão fiscal, não deu nenhum sinal de que irá a fundo nessa prometida revolução. Vejamos o exemplo da Bolsa Universitária, um programa criado pelo Tempo Novo de Marconi Perillo que nunca foi avaliado com seriedade, acumulou uma dívida milionária em torno de R$ 80 milhões com universidades e faculdades particulares, não é prioridade constitucional do Estado (o ensino fundamental e médio é que é), gasta uma fortuna para formar profissionais de nível superior  em áreas não estratégicas e acaba, no final das contas, não passando de mais uma iniciativa assistencialista e muito eleitoreira – demagógica, para dizer tudo. Em resumo, não é – ou no mínimo pode não ser – uma política pública que devolve para os goianos o quanto desembolsa em recursos.  Sem mais, sem menos, Caiado decidiu arbitrariamente pela sua manutenção e, mais, considerou essa decisão como uma dos principais passos do início da sua gestão.

 

Ou seja: o programa, mitificado pelos governos do Tempo Novo, vai continuar sem ter sido alvo de um exame objetivo, sem que se saiba pelo menos quais são as áreas em que os seus beneficiados se formaram, sem conhecimento sobre a suposta contrapartida que teriam que prestar em serviços à sociedade e sem mesmo situar com clareza o seu preço dentro da estrutura de despesas do Estado. Sem isso, tudo o que Caiado disse na eleição, disse depois e segue falando após tomar posse perde o sentido.

 

O Bolsa Universitária é um mito que, como todo mito, tem que ser submetido a um crivo de racionalidade para desmascarar, se for o caso, a sua narrativa. Era o que se esperava de Caiado, sem medo de reações negativas ou de ser visto como um governante que toma medidas impopulares, embora corretas.