Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 jan

Medidas restritivas para o Passe Livre Estudantil mostram que o governo Caiado quer economizar (palitos) às custas de quem precisa e não dos verdadeiros ralos que consomem os recursos do Estado

O governo Ronaldo Caiado está começando, como todo governo, com medidas boas, mas também com algumas ações que não podem ter outra avaliação que não a de ruins.

 

É o caso do Passe Livre Estudantil, um microprograma social muito útil e interessante, que fornece 48 passagens por mês a estudantes que necessitam se deslocar de ônibus até as suas escolas e só atende a um baixíssimo número de jovens, em Goiânia e em Anápolis no total pouco mais de 100 mil beneficiados.

 

Ora, ora, o governo decidiu que o programa custa caro e que é preciso reduzir seus custos. Assim, determinou um recadastramento, sem preparação prévia, que logo no 1º dia, esta sexta, 18 de janeiro, inundou de acessos o site da Secretaria do Governo e acabou provocando o seu colapso – ou seja, saiu do ar. Mais grave: sem que as novas definições que vão valer para o programa tenham sido adotadas. No escuro, portanto.

 

O novo responsável pelo programa, o advogado Luís Flávio Siqueira de Paiva, irmão do atual presidente da OAB-GO Lúcio Flávio Siqueira de Flávio, foi mais longe e anunciou que vai fiscalizar com mão de ferro o Passe Livre, para saber se os estudantes estão indo realmente da casa até a escola ou se estão aproveitando os tíquetes grátis para fazer viagens para outros destinos. E soltou uma pérola: o programa será restringido exclusivamente aos alunos de baixa renda, o que pensava-se, já era realidade, uma vez que, como se sabe, alunos de alta renda vão para a escola levados de carro pelos seus pais.

 

Perto da Bolsa Universitária, que consome R$ 10 milhões por mês e tem um passivo de mais de R$ 80 milhões com as universidades e faculdades particulares, o Passe Livre Estudantil é brincadeira de criança. Custa muito menos e presta um serviço real, enquanto a Bolsa Universitária é suspeita de não trazer retorno para os goianos, ao concentrar seus recursos no financiamento de alunos de cursos não prioritários para o Estado. Intacta, a BU será mantida pelo governador Ronaldo Caiado, em decisão já anunciada. O Passe Livre, não. Se um estudante descer do ônibus no meio do caminho para visitar a avó, será punido com o seu desligamento. Isso não deveria ser política de governo, não economiza mais do que palitos e coloca restrições à movimentação dos beneficiários, que não estudam só nas escolas, mas também em casas de amigos e em bibliotecas e outras instituições.

 

Em uma próxima nota, mostraremos os ralos que verdadeiramente consomem os recursos do Estado.