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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 mar

Socorro financeiro que Caiado espera de Brasília, no final das contas, não vai passar de empréstimo que aumentará a dívida do Estado e será ruim para a imagem que o seu governo deixará para a história

O socorro financeiro que o governador Ronaldo Caiado esmola junto ao governo federal e à espera do atual praticamente paralisou a sua administração, provavelmente não vai sair, mas, se isso vier a acontecer um dia, não passará de um empréstimo do BNDES ou de um aval junto a instituições bancárias privadas, o que, no final das contas, aumentará a dívida do Estado sem retorno direto para o desenvolvimento da economia estadual.

 

Não existem nem forma nem possibilidade alguma para transferência direta de recursos do governo federal para Goiás, sem vinculação específica. Não há como, nem sequer previsão em qualquer tipo de lei, que também não pode ser criada em razão de vedações constitucionais. Se alguma ajuda genérica puder ser dada aos Estados e especialmente a Caiado, ela se configurará em alguma modalidade de financiamento que terá como consequência o aumento da dívida institucional do governo goiano, jogando a atual gestão na vala comum das administrações do passado, responsáveis por alcançar os mais de R$ 20 bilhões que Goiás deve atualmente. E mais: serão os governadores do futuro quem receberão essa herança e serão obrigados ao seu pagamento.

 

Como esse empréstimo deverá ser dimensionado de acordo com o tamanho do rombo do caixa estadual, ele irá basicamente para cobrir despesas correntes, inclusive a folha de pagamento. Não vai sobrar muito para investimentos. Será um dinheiro estéril, sobre o qual serão lançados juros e outros encargos, mas que não terá repercussão na vida das cidadãs e cidadãos. Um desastre, que hoje poderia ser justificado, mas que daqui a anos será cobrado de Caiado como um erro e como a sua contribuição nefasta para deixar o Estado ainda mais encalacrado financeiramente. Mal comparando, será para ele o que a dilapidação da usina de Cachoeira Dourada significa para Maguito Vilela e a Celg para Marconi Perillo.

 

Ao longo da história recente de Goiás, Alcides Rodrigues foi o único governador que não contraiu empréstimos e deixou, ao encerrar o seu mandato, uma dívida menor que a encontrada quando assumiu. É um feito e tanto, pelo qual ele nunca recebeu o merecido reconhecimento. Empréstimos não são solução e, no caso de Caiado, vão encobrir a sua falta de vontade política para cortar no osso e realmente fazer a reforma que o Estado reclama, privatizando, liquidando, passando para a iniciativa privada ou fechando estatais e demais ralos por onde escorrem os preciosos recursos do povo goiano.