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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

27 mar

Indicações de Caiado para o Conselho Estadual de Educação contrariam a Constituição e, desmentindo o que ele diz no ofício à Assembleia, são nomes sem experiência no magistério estadual

Em absoluto desrespeito ao que reza a Constituição do Estado de Goiás, em seu artigo 160, sobre a composição do Conselho Estadual de Educação (onde, diz o texto, só podem ter assento educadores de comprovada contribuição para o ensino), o governador Ronaldo Caiado mandou para Assembleia Legislativa uma leva de seis nomes absolutamente incompatíveis com as exigências legais, morais (no caso de um deles) e de capacitação técnica para o cargo de conselheiro do principal órgão normativo, consultivo e fiscalizador do Sistema Estadual de Ensino.

 

No ofício em que encaminha os nomes, o próprio Caiado ressalta, em meio a uma série de erros de grafia e de redação, que se tratam de “representantes da Secretaria Estadual de Educação, escolhidos dentre educadores com experiência na área da educação básica do magistério público estadual”. Não é verdade. Nenhum dos seis escolhidos exerce ou exerceu, em algum momento das suas trajetórias profissionais, qualquer função, mesmo irrelevante, como professor ou coordenador em alguma das 1.150 escolas mantidas pelo Estado. Estão lá uma professora e pedagoga com experiência exclusiva em escolas particulares, uma advogada (Mayra Ramos Caiado, por sinal prima do governador), um consultor especializado em telecomunicações e militante da igreja católica, um marqueteiro profissional, um prefeito (Jaime Ricardo, de Ouro Verde, que é do DEM, partido do governador) e, o mais grave, um professor universitário que, como vereador também do DEM, em Crixás, foi condenado em dezembro último a mais de 7 anos de prisão, por crime de peculato(veja nota anterior).

 

Ao contrário do que afirma o governador no documento que encaminhou à Assembleia, que tem o poder de analisar e em seguida aprovar ou rejeitar os indicados, nenhum dos seis pode minimamente ser considerado como “representantes da Secretaria Estadual de Educação, escolhidos dentre dentre educadores com experiência na área da educação básica do magistério público estadual”. Isso pode ser verificado com clareza nos currículos anexados ao ofício assinado pelo governador, nos quais não se encontra uma linha evidenciando conhecimento ou experiência com atividades de ensino na rede estadual e, mais grave, em qualquer outro nível de educação fundamental, com exceção da professora e pedagoga que veio da rede privada (Guaraci Silva Gidrão, que curiosamente teve uma irmã, Mariana Gidrão, nomeada por Caiado para chefe de gabinete da reitoria da UEG; Guaraci é também coordenadora da Faculdade Delta, que contratou a secretária de Educação Fátima Gavioli para ministrar aulas em cursos de pós-graduação). Além disso, um dos nomes para o qual o Palácio das Esmeraldas pede a aprovação da Assembleia é o do especialista em marketing eleitoral Leopoldo Veiga Jardim, filiado ao PSDB e assessor de comunicação dos governos tucanos, sem passagem por salas de aula.

 

Não tem sentido. Ou passaram informações equivocadas para Caiado ou ele então está comprometido com um dos mais graves deslizes do seu governo, até agora, seja por negligência, seja por imprudência ou, infelizmente, não sendo o caso de descartar, por má fé mesmo.