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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 abr

Caiado nega que o seu governo tenha sido relapso ao manter funcionários envolvidos na corrupção desenfreada dentro da Saneago que até já foram presos antes. Paciência, governador: foi relapso, sim

Enquanto a Polícia Federal segue prendendo funcionários da Saneago que, mesmo envolvidos há tempos nas falcatruas que consomem a empresa e até já tendo sido detidos antes, foram mantidos ou readmitidos pela atual gestão, o governador Ronaldo Caiado – sem se desculpar – tentou justificar a situação afirmando que não foi “relapso” e que herdou um governo em que a podridão está em todo lugar, tendo se tornado, na sua definição, “sistêmica”.

 

Isso é muito sério. E grave. Apenas palavras supostamente indignadas do governador não esclarecem o que se passou e continua se passando dentro da Saneago, que um delegado da Polícia Federal definiu como “antro de corrupção”. A gestão de Caiado, através do presidente da estatal Ricardo Soavinski, importado do Paraná, juntamente com um número expressivo de diretores e assessores graduados, não afastou funcionários de alto escalão que, em operações policiais anteriores, já estavam implicados e chegaram a ser presos. Um deles – pasmem, leitora e leitor – é o pregoeiro e membro da Comissão Permanente de Licitação Elvys Presley Mendanha, há anos e anos impunemente no cargo, mas agora enfim afastado… não por Caiado, mas por uma decisão do juiz federal que preside o caso.

 

O mesmo delegado que classificou a Saneago como “antro de corrupção” revelou que todas as compras de bens e serviços realizadas pela companhia são irregulares e eivadas de vícios, conforme as investigações que tem em mãos. Ora, como é que o presidente Ricardo Soavinski nunca disse uma palavra sobre essas aquisições, não notou nada de errado e chegou ao extremo de prosseguir prestigiando funcionários já envolvidos em inquéritos e mesmo presos, designados para postos de confiança e de importância estratégica dentro da empresa? O adjetivo que melhor define esse comportamento é justamente o que foi utilizado por Caiado Soavinski e sua equipe foram relapsos e não podem reclamar na hipótese de suspeição sobre fatos acontecidos no período em que estão dominando a Saneago.

 

É o que temos, leitora e leitor: um governo que clama dia e noite contra a corrupção do passado, porém não age concretamente para esclarecer o que houve e principalmente para parar o que houve. É preciso ser condescendente para ficar só no adjetivo relapso e não usar outros bem piores.