Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

24 abr

Caiado foi para o Fórum de Governadores, em Brasília, esperando o anúncio do plano de socorro financeiro aos Estados, como prometido pelo ministro Paulo Guedes, porém… mais uma vez deu em nada

O governador Ronaldo Caiado é incansável. Quer dizer: ele não se cansa de levar dribles do ministro da Economia Paulo Guedes, que desde a eleição do ano passado vem prometendo a ele um socorro financeiro a Goiás que nunca mostra o menor sinal de que pode vir a acontecer. Nesta semana, mais uma vez, Caiado embarcou esperançoso para Brasília, esperando ouvir o que seria música para os seus ouvidos: o anúncio do Plano de Equilíbrio Financeiro, nome pomposo do programa prometido por Guedes e que consistiria em algum tipo de afrouxamento de regras para que os Estados possam contrair empréstimos ou então receber alguma antecipação por conta de leilões futuros do pré-sal cuja arrecadação, em parte, deverá caber às unidades federativas.

 

Caiado participou de mais um Fórum de Governadores, que tem a serventia de servir de tribuna para a choradeira dos governadores, todos sonhando com apoio financeiro de Brasília, alguns já em situação de desespero – entre esses últimos, Caiado. O goiano já está entrando no oitavo mês desde que foi eleito, repetindo quase todo dia que está na expectativa de um milagre que o governo federal prometeu (Paulo Guedes disse várias vezes a ele que tinha interesse em amparar Goiás), só que nunca deu passo além das palavras. É uma realidade: todas as equipes econômicas de todos os presidentes, de Fernando Henrique Cardoso para cá, têm a maior ojeriza quanto a liberar recursos para os Estados, cientes de que estariam alimentando a gastança e a irresponsabilidade fiscal, já que dinheiro fácil corresponderia ao mesmo que estimular os governadores a não fazer o dever de casa e a não tomar medidas impopulares de contenção de gastos.

 

Paulo Guedes também foi ao convescote. E falou muito, mas não tocou no tal Plano de Equilíbrio Financeiro, deixando a ansiosa plateia embasbacada em um primeiro momento, decepcionada no fim do encontro. Saíram todos frustrados, inclusive Caiado, o mais apaixonado defensor da abertura das burras do governo federal para os Estados. Sem saber o que fazer, restou ao governador bajular o ministro e propagandear apoio à reforma da previdência, que, para ser aprovada pelo Congresso, depende de algo que os chefes dos Executivos estaduais não têm a oferecer: os votos dos deputados e senadores. Isso, aliás, quem repetiu ao presidente Jair Bolsonaro, dias atrás, foi um dos maiores aliados que Caiado teve na sua eleição, o deputado federal José Nelto. Em uma audiência no Palácio do Planalto, Nelto não só garantiu ao capitão que nenhum governador tem força para mobilizar votos dos congressistas e ainda foi mais longe: aconselhou Bolsonaro a não ajudar os governadores, que precisam é mostrar serviço e tomar iniciativas dentro da sua própria esfera de competência para resolver os seus problemas.