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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 abr

Marconi não aprende com a derrota e insiste em permanecer preso ao que já ficou para trás: ““Nunca devemos deixar de olhar o passado”, é o conselho dele aos candidatos a presidência do PSDB

Pelo menos dois dos candidatos à presidência estadual do PSDB, que terá o seu novo ocupante escolhido no próximo dia 4 de maio, conversaram com o ex-governador Marconi Perillo sobre o futuro do partido em Goiás e ouviram o mesmo conselho, que pode ser resumido em uma única frase: “Nunca devemos deixar de olhar o passado”, conforme contou um dos postulantes, o prefeito de Goianira Carlão da Fox.

 

Foram poucas palavras. Porém, dizem muito sobre a cabeça atual de Marconi. A exemplo do que aconteceu na campanha eleitoral fracassada do ano passado, quando ficou em 5º lugar para o Senado e só ganhou em duas cidades, Palmeiras e Mimoso, o tucano-mor de Goiás prova mais uma vez que não consegue se libertar dos seus bons tempos de governo e continua achando que as obras e realizações do seu período merecem a gratidão dos seus colegas de partido e dos goianos. Esse discurso saudosista foi fundamental para a construção da monumental surra que tomou nas urnas, quando o eleitor só olhou para trás para conferir os malfeitos e preferiu escolher os seus candidatos com as vistas bem assentadas à frente.

 

Marconi fez a campanha sem apresentar propostas para a sua atuação como senador, focando apenas nas suas realizações como governador e quase que exigindo gratidão e reconhecimento pelos seus feitos. Isso, em política, é um erro crasso. O próprio ex-governador ganhou pela primeira vez em 1998 como um candidato absolutamente desconhecido, que, no entanto, foi abraçado pela população no lugar de um adversário com um currículo de obras jamais visto antes (Iris Rezende). Deveria, por isso, saber que voto não é agradecimento e sim um aceno para os dias que virão e daí entenderia porque Ronaldo Caiado ganhou.

 

A razão do conselho aos candidatos à presidência do PSDB estadual é fácil de entender: Marconi quer que o partido se comprometa com a chamada defesa do seu legado, entendendo que os tucanos de Goiás devem gastar o seu tempo enaltecendo as suas administrações e exaltando um suposto significado positivo para o Estado. Paciência. Essa estória de “legado” é pura ilusão. Se o ex-governador não enxerga que falatório é matéria vencida, que o Tempo Novo já era e que “olhar para o passado” só vai aprofundar os desgastes do partido e a dessintonia que o levou ao fiasco eleitoral no ano passado, azar dele.