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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 jun

Dívida estadual(2): contas de Caiado estão estranguladas pela inviabilização fiscal que ele enfrenta, sob risco de passar à história como o governador que não conseguiu assentar um tijolo

Helvécio Cardoso

Em tempos de bonança, a coisa foi bem. Mas, com o avanço da recessão e a queda brutal da arrecadação, a dívida cobrada pelo Tesouro Nacional passou a estrangular as contas estaduais. Malgrado toda submissão dos governadores as ditames do Tesouro Federal, sua enorme boa vontade em obedecer à extorsão legalizada, a realidade agora mostra sua face pavorosa.

 

Goiás, por exemplo, não tem mais como pagar, mesmo cortando na própria carne. Aliás, cortando no osso, já que não há mais carne para cortar.

 

A mão morta da dívida tirou dos Estados instrumentos que tinham para fazer política financeira regional. Foram tomados dos Estados seus bancos, seu direito de emitir títulos da dívida pública e até a autonomia para tomar dinheiro emprestado na praça. Os Estados vêm sendo pressionados, há anos, a privatizar tudo, a vender na bacia das almas seus melhores ativos, aqueles que geravam alguma receita de capital.

 

O pior disso é que o produto das privatizações não pode ser usado para despesas ordinárias, e, com isso, equilibrar as contas.  Só se pode gastar em investimentos. Mas é um mixaria. Assim, esses recursos acabam sendo dissipados em obras irrelevantes, eleitoreiras, que não geram retorno econômico. O dinheiro das vendas de Cachoeira Dourada e da Celg sumiu como poeira.

 

Caiado não tem como resolver o problema se o governo federal continuar lhe negando ajuda. Mal consegue quitar a folha do funcionalismo. Grandes obras públicas de vital importância para o desenvolvimento do Estado – o aeroporto de cargas de Anápolis, por exemplo; a conclusão do Sistema Produtor Mauro Borges, outro exemplo -, já estavam paralisadas desde o final do governo de Zé Eliton. E paralisadas poderão continuar durante todo o mandato de Caiado, se uma urgente solução não for encontrada.

 

Caiado corre o risco de passar à história como o governador que não conseguiu assentar um tijolo em Goiás. E não poderá ser  reprovado por isso. Pensando bem, ter sido eleito governador foi, para ele, um azar danado.