Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

03 jun

Empresários enganaram Caiado ao fazê-lo aceitar, no final do ano passado, acordo sobre os incentivos fiscais que levaria a aumento arrecadação de R$ 1 bilhão neste ano. Não vai chegar nem à metade disso

Este blog cansou-se de avisar que o acordo sobre a redução de incentivos fiscais, fechado entre o então governador eleito Ronaldo Caiado e representantes das empresas beneficiadas, que supostamente levaria a um aumento de R$ 1 bilhão na arrecadação, neste ano, não passava de um golpe – em que a boa fé do Caiado foi aproveitada para que, no final das contas, as benesses tributárias continuassem a drenar a receita estadual como fizeram impunemente nos últimos 20 anos e nada mudasse.

 

Caiado queria diminuir os incentivos fiscais em 50%. Depois, baixou para 30%. Em seguida, rendeu-se à gritaria dos empresários favorecidos e aceitou um acordo, sem nenhuma fundamentação em números reais, sem sequer uma planilha demonstrativa, que implicaria, no gogó, em cortes que resultariam em um acréscimo de R$ 1 bilhão para a arrecadação deste ano. Um projeto de lei, redigido pelos próprios interessados, foi encaminhado para a Assembleia pelo então governador Zé Eliton, a pedido de Caiado, que o aprovou em tempo recorde.

 

Era um logro e o novo governador caiu como um patinho. Os tais R$ 1 bilhão começariam a entrar em abril, turbinando o caixa estadual. Mas não foi assim que, passados abril e maio, as coisas aconteceram. Segundo informações prestadas pela própria secretária da Economia Cristiane Schmidt, os cálculos foram superestimados. Em abril e maio, ingressaram apenas R$ 56 milhões a mais por conta do reajuste na receita de ICMS gerado pelo acerto de Caiado com os empresários. “A expectativa dos nossos técnicos é que, até o final do ano, o incremento da arrecadação chegue à R$ 450 milhões, menos da metade do que foi projetado no final do ano passado”, detalhou Cristiane Schmidt (confira mais informações aqui). “Houve frustração das expectativas”, acrescentou ela.

 

Caiado foi tapeado, apesar de alertado para os riscos de confiar na palavra dos lordes da indústria goiana, o que seria o mesmo que entregar a chave do galinheiro para a raposa. E foi: os prometidos R$ 1 bilhão para 2019 viraram fumaça, ou melhor, continuam no bolso dos maganos dos negócios em Goiás, de onde eles jamais cogitaram em deixar sair. O governador  deveria aprender, com o episódio, uma lição importante para todo e qualquer governante: declarações de intenções, no mundo real da política e das decisões da administração pública, não têm o menor valor e, ao contrário, devem ser vistas com desconfiança. Só ingênuos ou imbecis caem nessa esparrela. Por acreditar em quem não deveria, Caiado fez papel de trouxa.