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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 jun

Perplexidade toma conta dos tucanos de Goiás com a reprovação das contas de Marconi e Zé Eliton pelo TCE, especialmente diante da omissão de Carla Santillo e Edson Ferrari

Os tucanos de Goiás entraram em choque nesta quarta-feira com a notícia de que o Tribunal de Contas do Estado aprovou parecer favorável à rejeição das contas do governo do Estado referentes a 2018, ano em que Marconi Perillo esteve à frente do Executivo por três meses e Zé Eliton pelos nove meses restantes. Mais ainda, causou perplexidade a notícia de que a conselheira Carla Santillo e o conselheiro Edson Ferrari se omitiram da votação, a primeira alegando suspeição e o segundo impedimento, abrindo o caminho para a decisão.

 

Ainda não se conhecem com exatidão os motivos que levaram Carla Santillo e Edson Ferrari a se excluírem da votação que terminou declarando a irregularidade das contas – em forma de parecer que, agora, será encaminhado à Assembleia Legislativa, onde só poderá ser derrubado por uma maioria de dois terços (28 votos) dos 41 deputados. Hoje, nem se a exigência fosse de maioria qualificada, que é bem menor, de apenas 21 votos, Marconi e Zé Eliton conseguiriam sequer se aproximar desse placar. A perspectiva, assim, é que o relatório do TCE seja aprovado, com uma consequência nefasta para os dois ex-governadores, notadamente Marconi: a inelegibilidade por oito anos, com base na Lei da Ficha Limpa.

 

Carla Santillo e Edson Ferrari foram nomeados para o Tribunal de Contas do Estado sem disporem de base política, ao contrário de conselheiros como Helder Valim, que foi presidente da Assembleia por duas vezes, ou Sebastião Tejota, também presidente do Legislativo por dois mandatos. A vontade pessoal de Marconi é a única justificativa para que os dois tenham tomado assento no TCE – muito embora não se obriguem legalmente nenhum compromisso, nem eles ou qualquer outro conselheiro, com quem os patrocinou nem com mais ninguém. De qualquer forma, a omissão de ambos, facilitando a maioria pela rejeição das contas de 2018 dos governos Marconi e Zé Eliton, foi fundamental para que se chegasse ao resultado que, agora, ameaça o futuro político do tucano-mor de Goiás e ainda coloca outros riscos em termos de indiciamento civil e criminal. Falta ainda conhecer o que aconteceu nos bastidores do TCE.