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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 jul

Suposto desvio de dinheiro no Ipasgo, que pode chegar a R$ 1 bilhão, é estória mal contada que exige um pronto esclarecimento do governo Caiado

Está cada vez mais estranha a estória de um suposto roubo de dinheiro no Ipasgo, que poderia ascender a fantásticos e inacreditáveis R$ 1 bilhão de reais, alvo de uma operação fora do padrão de eficiência da polícia civil estadual e até hoje sem esclarecimentos sobre quem são os envolvidos, se é que os há, e como aconteceu o desvio.

 

O atual presidente do instituto, médico Sílvio Fernandes, é figura pra lá de polêmica. Mais caiadista que o próprio governador Ronaldo Caiado, a quem acompanha como dirigente do DEM em Goiás há anos e anos, já foi acusado de ser funcionário fantasma e de declarar uma especialidade, a anestesiologia, sobre a qual não teria maiores conhecimentos. Hoje, sua aspiração é ser o vice de Iris Rezende, na possível tentativa de reeleição do velho cacique emedebista no ano que vem. O Ipasgo que ele assumiu é uma espécie de plano de saúde do funcionalismo estadual em uma situação de pleno desequilíbrio financeiro e sem a menor condição de se sustentar. Nas primeiras semanas após a posse de Caiado, o novo presidente anunciou que as dívidas estavam quase todas pagas e que o instituto estava a caminho da normalização. Qual o quê: era só bravata e conversa inconsequente. O Ipasgo, tal como antes, continua na pior e, mais grave ainda, sem um projeto de recuperação.

 

Sílvio Fernandes, no início desta semana, deu uma entrevista sobre as tais irregularidades que teriam sido descobertas. Não conseguiu ir além de mencionar um caso em que 200 exames de sangue foram faturados para um só cliente, em um único dia, ou informar que foram localizados 40 afiliados com mais de 100 anos de idade e algumas crianças como titulares do plano de assistência médica. Tudo coisa irrelevante diante da constatação de que são mais de 600 mil as pessoas atendidas pelo Ipasgo.

 

Para piorar as desconfianças, um delegado de polícia deu entrevista a O Popular falando basicamente em conjecturas e palpitando que, se o caso for mesmo verdadeiro, as somas envolvidas poderão ser muito altas. De concreto, não apontou um único detalhe, não cogitou de suspeitos nem deu qualquer explicação sobre como o esquema funcionaria e para onde foram os recursos afanados. A impressão passada é que o investigador não tinha noção alguma sobre o que está investigando.

 

O governo do Estado precisa se pronunciar urgentemente sobre o que está se passando no Ipasgo, antes que tudo isso se confirme apenas como mais uma trapalhada, e das grandes.