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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

26 set

Na política, por solidariedade, carrega-se o caixão até a beira da cova, mas… não se pula lá para dentro com o defunto. É o que está acontecendo com a candidatura de Zé Eliton

Depois de anunciar que a chapa majoritária seria agrupada e que Zé Eliton, Raquel Teixeira, Marconi Perillo e Lúcia Vânia passariam a aparecer juntos nos eventos eleitorais, o QG tucano recuou e manteve, pelo menos no caso de Marconi, uma agenda totalmente em separado. Não há dúvidas que a campanha do fundador do Tempo Novo foi individualizada e, até certo ponto, assumindo ares de voo solo. .

 

Por exemplo: Marconi está protagonizando sozinho uma série de encontros com o segmento mais aguerrido do partido-líder da coligação, a juventude do PSDB. Nesta semana, houve uma reunião em Goiânia. E nesta quarta, outro em Rio Verde. Nos convites e na mobilização, não houve menção ao nome do Zé (e, de resto, ao de Lúcia Vânia também).

 

Sinais devem ser interpretados. Está claro que foi deflagrada uma operação para salvar Marconi da derrota total que se desenha no horizonte. E não há nenhuma deslealdade ou traição nesse ajuste de estratégia: se Marconi ficar sem mandato, o futuro do grupo tucano que manda em Goiás há 20 anos será o pior possível. Zé pode perder e Lúcia também, mas eles farão pouca falta. Não são indispensáveis como Marconi é.

 

Não à toa, o coordenador-geral da campanha da aliança comandada pelo PSDB é o presidente da Agetop Jayme Rincón, empresário sem empresa, de raciocínio frio e pragmático e marconista apaixonado. Sob sua orientação, por exemplo, o setor de comunicação já se voltou integralmente para a divulgação da candidatura de Marconi. Não que Zé Eliton tenha sido abandonado. Mas, digamos assim, claramente deixou de ser prioridade.

 

Na política, diz um ditado que cabe bem aos tucanos no presente momento de incerteza: por solidariedade carrega-se o caixão até a beira da cova, mas… não se pula lá para dentro com o defunto.