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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

27 set

Matéria publicada por O Popular em março deste ano mostrou como a fraude para alavancar Goiás no ranking do IDEB foi operacionalizada com a extinção sigilosa do ensino médio noturno

O jornal O Popular, antecipou, em reportagem publicada em março deste ano e assinada pelo jornalista Márcio Leijoto, a fraude que a Seduce montou para alavancar a colocação de Goiás no ranking do IDEB – hoje um dos motes da campanha do governador Zé Eliton e do ex Marconi Perillo, que apresentam em seus programas eleitorais a Educação estadual como “a melhor do Brasil”.

 

Não é verdade. Segundo O Popular, a manipulação dos índices de Goiás no IDEB se deu a partir da extinção do ensino médio regular no período noturno, o que foi feito sem divulgação. Em seu lugar, foi criado um programa especial (o PROFEN – Programa de Fortalecimento do Ensino Noturno), que passou a considerar todos os alunos matriculados neste horário como estudantes do EJA (Educação de Jovens e Adultos), sigla para o ensino supletivo, e não mais alunos do ensino médio.

 

Com isso, em um passe de mágica, mais de 17 mil alunos foram excluídos dos cálculos para o IDEB, que considera, além da prova presencial, também as taxa de evasão e de aprovação nas séries regulares do ensino médio. É aí que a Seduce de Raquel Teixeira descobriu o ovo de Colombo: com a retirada das turmas noturnas das escolas da rede estadual, que têm rendimento escolar menor e números elevados em evasão e aprovação, a média dos alunos que sobraram subiu automaticamente. Estava pronta a grande ilusão: o IDEB da rede estadual deu um salto.

 

Já em março deste ano, na reportagem que publicou sobre o assunto, O Popular fazia uma previsão: o fim do ensino médio regular noturno na rede estadual de ensino em Goiás iria melhorar artificialmente o desempenho do ensino médio estadual como um todo no IDEB. E foi exatamente o que aconteceu, não como reflexo de qualquer evolução na qualidade do ensino, mas como resultado da mudança na base de cálculo do indicador, no caso da rede estadual. O que houve, portanto, foi uma fraude.