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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 set

Professores não comemoraram o avanço da Educação de Goiás no ranking do IDEB porque sabem que não corresponde à realidade do ensino estadual e foi obtido através de manipulação

Notou, leitor? A conquista de uma posição melhor no ranking do IDEB, indicador de qualidade do ensino tanto da rede pública estadual, calculado a cada dois anos a partir da realização de uma prova presencial e informações sobre aprovações e taxa de evasão, não foi comemorada pelos professores que compõem o quadro da Secretaria Estadual de Educação.

 

Só os políticos governistas fizeram festa – o governador Zé Eliton, o ex Marconi Perillo e a ex-secretária de Educação e candidata a vice-governadora Raquel Teixeira foram os que mais celebraram. Por que nem um único professor estadual veio a público para se declarar feliz com a conquista do IDEB?

 

A resposta não tem segredo: porque eles sabiam que o resultado do IDEB em Goiás foi obtido através de uma grande manipulação operacionalizada pela Seduce, que excluiu os alunos dos cursos noturnos da avaliação (eles são os que menos mostram rendimento e aprovação e, ao mesmo tempo, os que mais abandonam a escola) e mais alguns truques, como o conhecimento prévio da prova (que repete muitas questões, devido a uma sucessão de avaliações, transformadas em cartilhas, com quase todas as questões da prova, que os professores são obrigados a trabalhar em classe). Infelizmente, o “adestramento” dos alunos para o IDEB substituiu o verdadeiro ensino, em Goiás e se constitui em um crime contra os alunos das escolas estaduais. Veja mais essa: no dia da prova, por orientação da Seduce, os alunos mais fracos são dispensados de comparecer ou, se comparecem, não têm as suas provas computadas.

 

Todo professor da rede estadual sabe que o resultado do IDEB é manipulado, pois, como disse um eles em contato com o blog: “O IDEB é um índice que se obtém multiplicando resultados na prova, queda na evasão e aumento da aprovação e o que mais temos visto é uma política de treinamento dos alunos para chegar ao aumento da nota, esquecendo-se o currículo das séries e impondo a necessidade de aprovar os alunos indiscriminadamente. Quem não sabe que somos obrigados a aprovar? Se houver uma investigação sobre isso, dá reportagem principal no
Fantástico”.

 

Ou como escreveu outro professor: “Esse índice no IDEB não representa a realidade. Nem precisa mexer muito nas provas. É só diminuir o índice de evasão escolar, como foi feito, e pronto. Tenho certeza de que, caso isso seja levado a público, cai por terra essa história de melhor Educação do país”.