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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 set

Futuro de Marconi e Zé Eliton está nas mãos de Jayme Rincón, cujo filho foi preso como provável estratégia da Operação Cash Delivery para fragilizá-lo e levá-lo a abrir o bico

Depois de anos e anos de ações bem sucedidas, que puseram na cadeia até um ex-presidente da República, a Operação Lava Jato desenvolveu técnicas próprias de investigação – uma delas a de fragilizar os envolvidos em falcatruas com prisões prolongadas e outros artifícios até que se rendam e concordem em fazer delações.

 

É o que provavelmente aconteceu quando os investigadores resolveram pedir a prisão temporária de Rodrigo Godoy Rincón, filho de Jayme, que recebeu em seu apartamento em São Paulo 11 das 21 entregas de dinheiro vivo oriundo das propinas que, acredita a Polícia Federal, a Odebrecht estava repassando a Marconi Perillo.

 

Rodrigo, aparentemente, não tem nenhuma culpa no esquema e pode até ter recebido as “encomendas” em mochilas, malas e pacotes sem saber o que havia dentro. É um rapaz de 25 anos que nunca foi visto em ambientes políticos e nem mesmo morava em Goiás, sem nenhuma condição de participar de acertos complexos envolvendo dinheiro grosso para cá e para lá. Por que então foi preso?

 

A resposta é essa mesma, leitor, que veio à sua cabeça: através de Rodrigo, a Polícia Federal busca quebrar a resistência de Jayme Rincón. E é aí que mora o perigo para Marconi e Zé Eliton. O presidente licenciado da Agetop (mesmo preso, não foi demitido pelo governador, o que mostra o seu peso) é um arquivo vivo com os maiores segredos da política de Goiás nos últimos anos e governos Marconi/Zé Eliton. Se resolver colaborar com as investigações, arrebenta com o sistema governista que presidiu Goiás nos últimos 20 anos.

 

Zé e Marconi estão por conta de Jayme Rincón.