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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 set

Apreensão de R$ 1 milhão de reais em dinheiro vivo muda o rumo das investigações da Operação Cash Delivery e complica a vida de Zé Eliton e Marconi, este sob risco de prisão 2 dias após a eleição

As defesas que o governador Zé Eliton (“Não tem nada a ver com a minha campanha”) e o ex Marconi Perillo (“É café requentado”) apresentaram logo após a deflagração da Operação Cash Delivery, na sexta-feira, não levou em consideração o fato novo dos quase R$ 1 milhão de reais com que os agentes da Polícia Federal esbarraram na casa do motorista de Jayme Rincón.

 

Como Rincón era o coordenador-geral da campanha do PSDB, as investigações, a partir de agora, têm a ver sim com a candidatura de Zé Eliton. Quanto a Marconi, se os eventos anteriores que justificaram a Cash Delivery são “café requentado”, as caixas de dinheiro às ordens de Rincón, na residência do seu preposto para o recebimento de propina revelam novidades que, devidamente averiguadas a partir de agora, podem complicar a vida de Marconi.

 

E o que de pior pode acontecer é a decretação da sua prisão, a partir da quarta-feira, 10, ou seja, quando vence o prazo que vai até dois dias após as eleições durante o qual candidatos não podem ser alvo de medidas de restrição de liberdade.

 

Por que Marconi pode ser preso? Por que, com o novo rumo das investigações, ele pode ser considerado como elemento nocivo para o inquérito, pois, solto, poderia agir para ocultar provas e influenciar testemunhas. É essa previsão legal que motiva as prisões temporárias e até mesmo preventivas, em qualquer persecução criminal.

 

Tudo vai depender das conveniências do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. E é oportuno lembrar: mesmo se for eleito, coisa que nem com milagre parece ser possível hoje, o ex-governador pode, sim, ser conduzido para as masmorras.