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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 set

Operação Cash Delivery e prisão do amigo Jayme Rincón enterram de vez Marconi, que há tempos já era falado como envolvido em negócios cabulosos com empreiteiras corruptoras

Fui o primeiro jornalista a levantar a probabilidade de Marconi Perillo não ser eleito senador. Eu dizia que sua vitória era incerta. Teve gente que até zombou. Diziam que era coisa de bola de cristal.

 

Mas a bola de cristal era meramente avaliação lógica, fria, sem paixão. Marconi fizera péssimo governo, colecionara inimigos, tinha – tem ainda – altíssima rejeição. Quando indiquei a possibilidade de sua derrota, nem se sabia ainda quem seriam seus oponentes.

 

Há dois anos corriam nos bastidores da política goiana  que Marconi estava envolvido em negócios cabulosos com empreiteiras corruptoras. Como tenho por princípio não comentar boatos, nunca toquei no assunto. Todo jornalista razoavelmente informado de Goiás sabia que Jayme Rincón era o operador das finanças tucanas; todos sabiam que ele é pinta braba. Foi uma temeridade colocá-lo como coordenador da campanha. Até por que ele manja lhufas de política; o lance dele é “operar” as “despesas não contabilizadas”, como diria o Delúbio Soares.

 

Não me filio aos que já condenaram Marconi. Deixemos que o Judiciário decida de sua culpa, ou inocência.

 

Mas o escândalo vai enterrá-lo de vez. para quem já vinha perdendo nas pesquisas sérias, que indicam Jorge Kajuru e Vanderlan Cardoso vitoriosos, agora a derrota não é apenas provável: é certa. E o que é pior para ele: sua carreira política vai desandar. Não digo que ele esteja liquidado. Creio que, lá na frente, poderá se reabilitar.

 

Quando estourou o escândalo Caixego, o recém-vitorioso Marconi explorou o máximo o episódio, que parecia ser a última pá de cal na cova do PMDB. Os que criticaram o exorbitante triunfalismo de Marconi, e o massacre midiático de Otoniel Machado, fomos processados por Marconi: eu e José Luiz Bittencourt. Ganhamos o processo, mas perdemos nossos empregos.

 

De mim e de JLB não ficaram mágoas, tanto que defendemos Marconi em situações em que ele foi atacado levianamente por seus inimigos E tínhamos que defendê-lo pois seus bajuladores nunca o fizeram. Agora mesmo, não vi ainda um só artigo do João Bosco, do Rech, do Jarbas! Como é rapazes? Vão abandonar o chefe, agora que todos tripudiam sobre ele? Cadê a valentia?(Helvécio Cardoso, jornalista)