Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 out

Ruim de voto: um ano viajando ao interior como vice levando o Goiás na Frente, posse como governador, controle da máquina, 200 prefeitos, maior tempo de televisão e nada deu certo para o Zé

A eleição será daqui a apenas sete dias e o resultado é fácil de prever: Ronaldo Caiado deve ganhar no 1º turno, depois que a última pesquisa do Serpes apontou Zé Eliton e Daniel Vilela, seus principais concorrentes, empatados no mesmo 2º lugar onde estão desde a publicação do 1º levantamento, em abril último.

 

Daniel Vilela, mesmo perdendo, vai sair bem da eleição, correndo hoje o risco positivo de ficar com o 2º lugar. Tornou-se conhecido, adquiriu experiência e ficará capitalizado para vôos futuros. Mas… e o Zé? como o batizaram seus marqueteiros e comunicadores.  O que os cientistas políticos dirão de um candidato que passou um ano viajando pelo interior distribuindo cheques do Goiás na Frente e entregando benefícios sociais, tomou posse como governador há seis meses, teve (tem) o controle da máquina administrativa, o apoio de mais ou menos 200 prefeitos e o maior tempo no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão? e nada disso adiantou. Zé terá no máximo a metade da votação historicamente atribuída, só por existir, ao seu grupo político só.

 

Zé é um candidato que pode ser definido patologicamente como ruim de voto. A herança de 20 anos do Tempo Novo foi entregue em suas mãos apenas para ser carregada até a sepultura da derrota total. Será o coveiro das coisas boas e ruins que o governo Marconi Perillo fez para Goiás. A esse respeito, seus poucos seguidores fiéis começam a difundir a tese de que ele foi vítima da fadiga acumulada em duas décadas de poder e que esse fardo seria pesado – fatal – para qualquer um. É verdade, mas não é só isso.

 

Ninguém errou tanto como Zé Eliton. Na estratégia, no discurso, na comunicação e no marketing ao aceitar o papel do Zé ficcional, no tratamento abrupto que deu aos aliados, no isolamento em que se meteu no Palácio das Esmeraldas, agarrado à liturgia de um cargo temporário e, portanto, em autoridade política. Não havia como dar certo, como não deu.