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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

03 out

Reação de Marconi à Operação Cash Delivery mira apenas o seu público apaixonado cativo e ignora a sociedade em geral – e por isso é insuficiente e contribui para a sua derrota

Depois da deflagração da Operação Cash Delivery, na manhã da última sexta-feira, 28 de setembro, o ex-governador e candidato ao Senado Marconi Perillo abriu uma ofensiva junto à militância tucana e a setores que tradicionalmente apoiam o seu nome, como, por exemplo, entidades empresariais tipo a FECOMÉRCIO, a FIEG ou a ACIEG.

 

É mais um erro, dos tantos que ele vem cometendo nesta campanha. Somente com os seus seguidores apaixonados cativos e com segmentos da elite do Estado Marconi jamais conseguirá se eleger para o Senado depois do impacto da Operação Cash Delivery. É importante notar que o ex-governador já vinha mal nas pesquisas, empatado com Jorge Kajuru e Vanderlan Cardoso e exibindo uma rejeição estratosférica – que na última pesquisa Serpes, feita antes da ação da Polícia Federal, já ultrapassava os 40%.

 

Agora, conforme o último levantamento do Grupom, que foi a campo depois da agenda policial de sexta passada, o repúdio a Marconi superou a inacreditável barreira dos 50%. Tudo isso significa que, para ser conduzido ao Senado, em uma conjuntura de agruras, não bastam a militância nem muito menos sindicatos de empresários. É preciso mais, inclusive o voto de quem, hoje, prefere Ronaldo Caiado para governador (a maioria dos goianos). Como Marconi recusou-se a dar as explicações necessárias, preferiu denunciar uma improvável conspiração contra a sua candidatura e se agarrou ao seu mundo fechado de aficcionados, não é difícil prever que o resultado das urnas será o pior possível.