Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 jan

Discursos de posse de Bolsonaro e Caiado não agradaram porque faltou sofisticação e rebuscamento intelectual, mas eles acertaram no alvo porque falaram a linguagem simples do povo

A ressaca das solenidades de posse de Jair Bolsonaro na presidência da República e de Ronaldo Caiado como governador Goiás trouxe uma onda de comentários críticos à forma e conteúdo dos discursos que cada um pronunciou ao assumir os seus respectivos cargos.

 

Basicamente, reclamou-se da falta de novidades e da repetição de chavões de campanha, além da formulação de metas apenas genéricas, sem maior detalhamento concreto de um ou outro projeto. Até que Caiado, ao falar em Educação, chegou a mencionar a ampliação das escolas de tempo integral, evitando, contudo, maiores especificações.

 

Nenhum dos dois recorreu a citações de autores famosos, prática comum nessas ocasiões. Enquanto Bolsonaro fez dois discursos lidos, porém descontraídos e curtos, Caiado, só no plenário da Assembleia, falou de improviso por quase uma hora – porém igualando-se ao estilo adotado pelo capitão presidente. Teriam eles desperdiçado uma boa oportunidade, furtando-se ao dever de dialogar com os problemas do Brasil e de Goiás, ou cumpriram com o que se esperava deles no instante inicial dos seus mandatos?

 

A resposta e, sim, ambos fizeram o correto, optando por falar diretamente com os brasileiros e goianos, adotando um tipo de palavreado e o raciocínio que qualquer um entende, sem necessidade de base intelectual. Afinal, foi assim que foram eleitos, fazendo campanha pelas redes sociais e se baseando em motes que simbolizaram com facilidade as esperanças da sociedade, Caiado com a “mudança” e Bolsonaro com “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

 

Por que haveriam de mudar agora que, vitoriosos, chegaram ao poder?