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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

17 jan

Depois do balanço mostrando que Goiás não cabe na recuperação fiscal e após a missão da STN avisar que o relatório só sai em fevereiro, governo adia a folha de dezembro para março. Isso é muito estranho

Pesa sobre o governo Ronaldo Caiado uma suspeita: o pagamento da folha de dezembro estaria sendo manipulado para agravar a situação financeira e assim ajudar a incluir o Estado no Regime de Recuperação Fiscal, que proporcionaria condições vantajosas para o início da nova gestão, entre elas a suspensão por 3 anos das milionárias parcelas da dívida estadual.

 

Nesta quinta, 17 de janeiro, a secretária da Economia Cristiane Schmidt voltou a negar qualquer uso maquiavélico da folha de dezembro e até acrescentou que, tecnicamente, trata-se de uma despesa continuada que nem sequer é levada em conta nos números que podem ou não caracterizar a debacle do caixa estadual. Se esse detalhe for verdadeiro – e não se pode admitir que a secretária recorreu a uma falácia -, há em contrapartida a expectativa de que o marketing malicioso sobre salários atrasados possa ser capaz de reforçar a imagem de caos na administração pública em Goiás e ajudar na pressão para que o governo federal conceda a tão sonhada recuperação fiscal para Goiás.

 

Não deixa de ser estranho que, justamente um dia depois da publicação do Guia dos Estados, atualizado, segundo O Popular, até o dia 9 de janeiro último, em que se mostra que Goiás não se enquadra nos requisitos para sua inclusão no RRF e também no momento em que a missão da Secretaria do Tesouro Nacional que esteve levantando as contas  estaduais anuncia que seu relatório só sairá em fevereiro, venha a dra. Cristiane Schmidt anunciar que a folha de dezembro só será resolvida a partir de março e mesmo assim não se sabe exatamente quando nem como.

 

Muito, mas muito conveniente. Quer dizer: com dezembro em aberto até março, o noticiário pessimista prossegue aceso e na mesma medida a coação sobre Brasília. Pode não ser assim, mas… parece ser