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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

17 jan

Em mais um ato simbólico que contribui para o “clima ruim” do início do seu governo, Caiado permite o fechamento de uma das escolas estaduais mais tradicionais de Goiás, o Instituto de Educação

O governo Ronaldo Caiado está mergulhado hoje em um “clima ruim”, na definição do do empresário Otavinho Lage, presidente da Adial (a associação das indústrias beneficiadas pelos incentivos fiscais).

 

Claro, Otavinho Lage se refere a a assuntos econômicos, já que a movimentação de Caiado sugere que, mais cedo ou mais tarde, ele vai tentar mexer no vespeiro das regalias tributárias desfrutadas por algumas poucas e privilegiadas empresas que operam em Goiás.

 

Mas esse “clima ruim” tem outros componentes. Um deles é o imbróglio da folha de dezembro do funcionalismo estadual, que só piora, especialmente agora que a secretária da Economia (por enquanto titular da Secretaria da Fazenda, uma vez que a nova pasta ainda não foi criada) avisou que não há esperanças de quitação desses salários atrasados antes de março. Outro, a precipitada demissão em massa de todos os servidores comissionados, que agora o governo está sendo obrigado a reverter, para evitar que órgãos públicos importantes sejam paralisados e prejudiquem a população.

 

O último fator negativo colocado na mesa pelo novo governo é o fechamento de uma das escolas mais tradicionais de Goiás, o Instituto de Educação, que funciona desde o início da década de 60 na avenida Anhanguera, na Vila Nova. Nas instalações, passará a funcionar a sede administrativa da Secretaria da Educação. Ótimo, o objetivo é economizar o aluguel de mais de R$ 250 mil mensais que é pago pelo prédio atual da Seduce. Calamitoso, porém, ao caracterizar como 1º ato de importância de Caiado na área da Educação, um dos pontos fortes da sua campanha, a eliminação de uma escola.

 

Quer queira, quer não, isso tem um simbolismo muito forte e contribui para o “clima ruim” deste início de gestão. A Seduce tem inúmeros outros prédios vazios em Goiânia, onde, no passado, funcionaram escolas que perderam a demanda. Por que fechar justamente uma que tem alunos e um projeto didático específico, como, por exemplo, a formação em linguagem de sinais?