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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

17 jan

Quase 3 semanas depois de começar, Caiado faz o mesmo que Zé Eliton estaria fazendo, se tivesse sido eleito: enfrenta uma crise, mantém programas eleitoreiros e não dá indícios concretos de mudança

Na próxima segunda-feira, o governador Ronaldo Caiado completa 3 semanas de exercício do poder fazendo o mesmo que Zé Eliton estaria fazendo, caso tivesse vencido as eleições.

 

Ou seja: não há novidades, grandes atos ou projetos novos, assiste-se a uma crise financeira do Estado em que a população não tem conhecimento dos números reais, programas antigos e descaradamente eleitoreiros (como a Bolsa Universitária) foram mantidos sem uma avaliação a fundo sobre o seu retorno para Goiás e, no final das contas, tudo isso coroado pelo governador ainda praticando um pouco do seu marketing de campanha (nas frases genéricas de efeito que repete, garantindo que não vai decepcionar e que tem autoridade moral para resolver os problemas que herdou).

 

Nada que não tenha sido a rotina dos governos do Tempo Novo, principalmente em seus últimos mandatos, de Marconi Perillo e de Zé Eliton, quando Goiás chegou à exaustão e passou a uma triste e monótona rotina administrativa baseada em mais do mesmo. Até mesmo o imbroglio em torno da folha de pessoal de dezembro é filme já visto, ao bisar o episódio semelhante em que Marconi, ao receber o governo de Alcides Rodrigues em 2011, também se recusou a pagar dezembro, recuando em seguida e quitando esses salários no dia 18 de janeiro – enquanto Caiado piorou as coisas e segue sem dar uma data e prometendo que, talvez, talvez, o problema possa ser resolvido a partir de março.

 

Não há como não concluir que o desempenho do novo governo, por enquanto, está abaixo das expectativas, tanto que  Caiado e secretários importantes como Ernesto Roller, da pasta do Governo, não à toa recorrem cada vez mais à justificativa do pouco tempo de mandato, o que significa que estão sentindo a elevação da temperatura. Mas 3 semanas, hoje, correspondem a 3 meses antigamente. Ou mais: Iris Rezende, 30 anos atrás, defendia a tese de que os 2 primeiros anos de um governante seriam de ajuste, para, em seguida, no 3º ano, fazer a sua gestão deslanchar (pela sua atuação na prefeitura de Goiânia, não deve ter mudado de ideia).

 

O raciocínio do pouco tempo de mandato é arcaico e bate de frente com as exigências do mundo moderno e seus novos condicionantes de rapidez, eficiência e imediata produção de resultados, requisitos que Caiado não está obedecendo, assim como Zé Eliton, caso eleito, também não estaria.