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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 jan

Falta de tato da secretária Cristiane Schmidt, em declarações irônicas e desrespeitosas sobre os servidores estaduais e também sobre ações na Justiça, ampliam desgaste de Caiado com a folha de dezembro

Mesmo sendo economista por formação e, portanto, uma técnica, a secretária da Fazenda Cristiane Schmidt ocupa um cargo que tem conotação política, por um lado, e exige postura de moderação, prudência e equilíbrio, por outro lado.

 

Ela nunca havia pisado em Goiás quando chegou, em dezembro, depois de convidada por Ronaldo Caiado para compor a sua equipe. Mas o fato de ter vindo de fora não significa que o Estado não disponha de quadros qualificados para a pasta da Sefaz, tendo a sua escolha se tratado mais de um reforço que o novo governador imaginou para a sua estratégia – utópica – de conseguir a benevolência do ministro da Economia Paulo Guedes (a quem Cristiane Schmidt é ligada) para incluir Goiás no Regime de Recuperação Fiscal e ter acesso a benesses inimagináveis para a reestabilização financeira do Estado, plano que não está dando certo, mas foi o que fundamentou o convite de Caiado para a economista carioca e não a sua qualificação propriamente dita.

 

Seria de se esperar que Cristiane Schmidt mostrasse um mínimo de esforço para ser absorvida pelos goianos. Ao contrário, no entanto, ela acumulou declarações em que combinou arrogância com desrespeito, como 1) quando disse que ser funcionário público é um privilégio no Brasil e que os de Goiás deveriam, por isso, se apresentar mais satisfeitos com essa condição e dispostos a sacrifícios para mantê-la e 2) quando afirmou que “não adianta manifestações, protestos ou ações na Justiça” porque, como não há recursos, a folha de dezembro não será paga tão cedo.

 

São frases temerárias e insensatas, que sugerem uma concepção do servidor do Estado como bode expiatório da crise fiscal e que as decisões do novo governo estão acima da lei. O funcionalismo, ao protestar e se manifestar, está exercendo o seu livre direito de expressão, inclusive ao discordar dos argumentos que estão sendo utilizados para justificar a postergação da folha de dezembro. Pode não adiantar nada, mas pode também adiantar, já que o governador é um político e como todo político preza obrigatoriamente a sua imagem e quer se distanciar de desgastes. Quanto a ações na Justiça, que seriam inúteis segundo Cristiane Schmidt, ela pode aprender rápido que não é bem assim e que recursos destinados a outras competências ou ao próprio pagamento de janeiro, podem ser bloqueados e destinados para a quitação de dezembro das categorias que estão ganhando liminares, com a chance de responsabilização criminal da própria secretária caso não cumpra as sentenças liminares.

 

O caminho não é esse. Na cena política, não custa nada ser suave e gentil, em vez de rude e agressivo.