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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 jan

Solução proposta pelo governo Caiado para a folha de dezembro, que seria parcelada em 6 meses, é absurda e nunca aconteceu antes em outros Estados, mesmo aqueles em situação gravíssima

Causou espanto a proposta do governo do Estado para o pagamento da folha de dezembro dos servidores: parcelamento em 6 meses, começando em março com os salários em torno de R$ 3 mil mensais e aumentando o limite a cada mês, até a liquidação final da conta.

 

Isso não tem sentido. Mais: nunca aconteceu antes em nenhum Estado brasileiro, pelo menos nos últimos 40 anos, nem mesmo naqueles, como o Rio de Janeiro, que chegaram a uma situação de falência tão calamitosa que o governo federal foi obrigado a intervir, criando um programa especial de ajuda chamado Regime de Recuperação Fiscal – o mesmo com o qual sonha o governador Ronaldo Caiado, mas que, até hoje, só foi concedido exatamente ao Rio de Janeiro.

 

O parcelamento em 6 meses só poderia ser proposto se viesse acompanhado por um pacote de austeridade, impondo cortes reais a todas as despesas do Estado, diminuindo o desperdício e aumentando drasticamente a economia de recursos, inclusive com a suspensão de programas eleitoreiros como o Bolsa Universitária – que custa mais de R$ 10 milhões por mês e já teve a sua manutenção anunciada por Caiado sem nenhuma avaliação sobre os seus custos e retorno para a sociedade. Para piorar o que já estava ruim, o governo, ao anunciar a proposta para quitar a folha de dezembro, não tocou em um ponto crítico, qual seja a correção monetária dos salários pagos com atraso, obrigação legal e sobretudo moral do Estado. E ainda: parte da folha já foi paga, mas o governo não diz quanto e continua falando em seu valor global, que é de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, o que, evidentemente, não é mais.

 

Sem uma conversa franca, que inclua a abertura das informações sobre o dia a dia da arrecadação do Estado, desde 1º de janeiro, com detalhes também sobre o saldo bancário naquele dia, fica difícil acreditar no discurso de terra arrasada como justificativa para o atraso da folha de dezembro e o seu inacreditável parcelamento em 6 meses a partir de março.