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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 jan

Insistência em manter aberta a crise da folha de dezembro vai contra as regras mais básicas da política e impõe custo elevado para Caiado, que pode até perder a sua base popular de apoio

A insistência em ser agarrar a detalhes técnico-legais para manter em aberto a crise gerada pela decisão de não pagar parte da folha de pessoal de dezembro destoa das regras mais básicas dos manuais de política e pode acabar impondo ao governador Ronaldo Caiado um custo bastante elevado, com consequências danosas para a conservação da base popular de apoio que conquistou com a sua vitória no 1º turno.

 

A essa altura, já ficou claro que a folha de dezembro transformou-se em uma espécie de birra para o novo governador. Ao resolver pagar janeiro já a partir da próxima semana e propor aos servidores parcelar dezembro (e o 13º salário mais as férias devidas a quem de direito nesse mês), começando a partir de março e prolongado-se até o 2º semestre, Caiado passa uma mensagem clara: dinheiro há, o que não há é a determinação de pagar, em razão de justificativas cada vez mais obscuras e contraditórias. A falta de uma folha de papel, ou seja, de um simples e reles empenho, que especialistas e até o Tribunal de Contas do Estado dizem ser possível emitir a qualquer momento, se transformou em um cavalo de batalha para a gestão que logo estará completando o seu 1º mês. O falatório sobre especificações burocráticas ou contábeis não convence ninguém.

 

Manuais de política começam com uma regra que é a mãe de todas as outras: crises têm que ser encerradas o mais rapidamente possível, para evitar consequências ruinosas e fora do controle. Mas o novo governador, um político habilidoso e experimentado, parece ter esquecido esse mandamento. Assombrosamente, quer aplicar um drible de 6 meses nos servidores que têm dezembro para receber, o que garante holofotes para o assunto pelo menos até agosto próximo. Isso beira o inacreditável.

 

Pior ainda quando o discurso da recuperação fiscal, em que Caiado empenhou o capital que trouxe das urnas, está prestes a ser enterrado com a negativa oficial do governo federal em conceder o benefício a Goiás, o que resumidamente será visto pelos goianos como uma prova cabal de que o Estado… não está tão quebrado assim. Tudo isso, repetindo, vai acabar custando caro para a gestão iniciante.