Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 jan

Terminou a live de Caiado, que deixou ainda mais embaralhada a “explicação” para o atraso de parte da folha de novembro e criou uma confusão sobre as próximas ações e prioridades do governo

Poucas vezes se viu um governante falando ao vivo, em uma transmissão de vídeo, em meio a uma barafunda de informações, opiniões de assessores, mistura caótica de temas, abuso de expressões técnicas ininteligíveis e “explicações” que não explicam a decisão de não pagar parte da folha do funcionalismo do mês de dezembro, como na live realizada na manhã deste sábado, 19 de janeiro, pelo governador Ronaldo Caiado(foto).

 

Marcada para começar às 9hs da manhã, a live começou com mais de duas horas de atraso – a impontualidade tem sido uma marca registrada da agenda do governador, que raramente tem atendido aos seus compromissos no horário marcado ou pelo menos com demora aceitável de poucos minutos, é sempre uma hora ou muito mais de tardança, o que, quando repetitivo, costuma ser associado com a inoperância pessoal.

 

O que impressiona é que, a cada passo que dá no debate sobre a não quitação de dezembro, Caiado se afunda em mais contradições e acrescenta novos ingredientes para o seu desgaste, que segue crescendo na medida das reações iradas dos servidores e suas associações ao atraso do pagamento e à decisão praticar um salto triplo carpado com a liberação antecipada dos salários de janeiro, deixando dezembro para as calendas.

 

O que já estava ruim, com a live ficou pior. Imprevidentemente, o governador acrescentou algumas novidades preocupantes ao seu discurso sobre a tal folha de dezembro: 1) não sabe quando ela será quitada, 2) só vai pagar se entrar o dinheiro suficiente, 3) a prioridade serão os gastos com Saúde, Segurança e Educação, e não a folha, e 4) agora, desdobrando o pedido feito aos donos de supermercados e farmácias para que vendessem fiado aos servidores, motivo para chacotas segundo avaliou corretamente a jornalista Fabiana Pulcineli, na rádio CBN, quer que todos os goianos auxiliem o governo limpando escolas, recolhendo lixo nas ruas e lavando as dependências dos hospitais estaduais. Ou, conforme disse, fazendo de graça o que for possível para ajudar na superação da crise do Estado. Sem isso, a situação continuará difícil, conforme concluiu.

 

Adicione-se a tudo isso o vocabulário específico e hermético dos técnicos da Sefaz que Caiado chamou para dar opinião e o esforço para desenhar uma situação de calamidade que, no entanto, não ficou evidente, além de mais uma vez denúncias genéricas de corrupção e irregularidades, sem comprovação e sem detalhamento de onde e quando ocorreram. Veja essa, leitora e leitor: um desses técnicos chegou a informar que o governo “descobriu” que o desconto do Ipasgo relativo a dois servidores teria desaparecido e não foi repassado para a rede de hospitais – dois servidores… e desconto do Ipasgo é repassado direto para os hospitais?

 

Como isso, muito do que foi dito na live ficou longe dos níveis aceitáveis de compreensão. Governantes devem prezar a obrigação de se comunicar com seus governados e se esforçar para mostrar serviço, mas não foi o que aconteceu na manhã deste sábado. Isso não contribui. É uma tentativa de inovação que não inova, uma manifestação de amadorismo pueril e incompatível com as responsabilidades de um governo de Estado. Caiado precisa acordar.