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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

26 jan

Recado que a Assembleia quer passar a Caiado elegendo um presidente independente é um só: nenhum governador pode tudo e deve antes de mais nada ouvir e prestigiar a sua base parlamentar

A candidatura de Álvaro Guimarães a presidente da Assembleia, praticamente liquidada, não está perto do fim apelas em razão da inaptidão do deputado para a articulação de bastidores, mas muito mais em consequência das mudanças de comportamento do governador Ronaldo Caiado antes e depois de ser eleito.

 

Caiado obteve uma vitória consagradora nas urnas, em 1º turno e com votação recorde. Ele tem experiência eleitoral e sabe que chegou a esse resultado quase que sozinho, em decorrência do imenso prestígio que acumulou e da sua biografia limpa, que foi valorizada ao extremo pelo momento político nacional e o cansaço da população com os escândalos de corrupção envolvendo políticos. A  Claro, ele teve muita ajuda, como por exemplo dos dissidentes do MDB, talvez o fator coadjuvante de mais peso para a sua jornada bem sucedida. Mas, em última análise, Ronaldo Caiado ganhou porque… era e é Ronaldo Caiado.

 

Se isso subiu ou não à sua cabeça, não se sabe e é de se presumir que não, já que é um homem de 69 anos e uma agitada história de vida. Mas nunca se sabe e o fato é que é unanimidade entre os que o apoiaram na campanha a opinião de que era um antes e é outro agora De salto alto ou não, montou um secretariado de forasteiros sem ouvir absolutamente ninguém e até hoje não atendeu as demandas e menos ainda as expectativa dos deputados eleitos em sintonia com a sua liderança e dispostos a se perfilar na sua base de apoio na Assembleia. Não atende mais seus telefonemas nem lê ou responde suas mensagens de WhatsApp, o que fazia com presteza quando ainda candidato.

 

Há um desejo espontâneo vicejando entre a maioria dos deputados: Caiado precisa receber uma lição, para entender que não pode tudo e que tem necessidade de cultivar a sua base parlamentar para ser bem sucedido no governo. Os deputados não querem apenas ser ouvidos, mas, indo mais longe, participar da gestão com indicações, não somente como apoiadores para aplaudir figuras desconhecidas que vieram de fora e ficaram com as fatias maiores do bolo do poder estadual.